quarta-feira, 5 de julho de 2017

Devolver o espaço às pessoas ou aos carros? Fiquei confuso...



Foi há 6 meses que abordei aqui uma questão que teve um impacto colossal em termos de visualizações no azinheiragate (14 000 em 4 dias...) e que mexeu com a identidade de Chão de Couce. No último fim-de-semana voltei ao local, de modo a efectuar novo registo fotográfico.
Foi há 6 meses que a Câmara Municipal de Ansião referiu que (1) aquele local estava a ser alvo de intervenções que pretendiam devolver o espaço às pessoas e à sua mobilidade, que (2) acrescentava modernidade e urbanidade, e que (3) o freixo ali situado não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, bem como constituía um perigo para a circulação naquela zona.
Rapidamente concluí, com a ajuda de um botânico, que a árvore em causa não estava doente ao ponto de ser cortada, sendo um falso argumento. Não constituía portanto um perigo para a circulação naquela zona. Era, infelizmente, um falso argumento para legitimar o corte da árvore, que claramente estorvava a quem fez e a quem aprovou este projecto.
Quanto à classificação ou protecção da árvore, há que referir que não há propriamente uma cultura de protecção ou classificação das mesmas, mas sim uma cultura do corta corta, típica em Portugal.
Fiquei perplexo com as justificações em causa, ainda mais porque a obra deveria ter sido alvo de discussão pública, tal como acontece em países desenvolvidos. Os argumentos não me convenceram, seja pelo facto de se argumentar, sem fundamentar devidamente, que se devolvia o espaço às pessoas e à sua mobilidade, seja pelo facto, de tal como a obra estava pensada, não acrescentar modernidade e urbanidade desejável, retirando sim identidade ao local. Tudo isto teve os impactos conhecidos na hora de as pessoas manifestarem a sua revolta pelo abate do freixo. Não esperei que tantas pessoas mostrassem o seu descontentamento, nem mesmo de forma tão expressiva. Isso aconteceu porque parte da sua identidade foi obliterada sem apelo nem agrado com esta obra. 
Mas voltando ao início, agora, e após a obra terminada, eis que no lugar do freixo supostamente doente, surge um... estacionamento. Típico...
E antes que surja a reacção do costume, não, não sou contra esta obra, mas sim contra o facto de não ter havido discussão pública, facto que levou a este desfecho. Caso tivesse havido discussão pública o freixo não teria vindo abaixo... Continua a insistir-se na tecla da não discussão pública, da não integração de elementos pré-existentes e da obra tipo chapa 5. E depois falam em identidade e na Marca Ansião como factor de diferenciação...

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