domingo, 23 de julho de 2017

20 000 euros de multa não chegam para aprender? Então vamos a mais uma ronda...


Há coisa de 1 ano denunciei uma plantação ilegal de eucaliptos, na Ribeira de Alcalamouque, Ansião, tendo sido apenas mais uma das várias que tenho vindo a denunciar ao longo dos últimos anos. Uns meses mais tarde ouvi dizer que o prevaricador alegadamente terá tido de pagar uma coima de 20 000 euros. Fiquei satisfeito, contudo apenas parcialmente, já que a situação original não foi reposta, tal como a lei obriga.
Eis que quase 1 ano depois o prevaricador volta à carta e faz mais um acrescento à plantação ilegal de eucaliptos. Ou seja, fez nova intervenção numa área adjacente à já intervencionada. Se compararem com a foto de há 1 ano, consegue-se ver que o sector central (no pequeno vale, ao centro) foi agora intervencionado. O prevaricador não pode alegar desconhecimento, tratando-se, na minha opinião, de uma atitude que demonstra má fé e um total desprezo pela lei.
De modo a premiar esta atitude, informo o prevaricador que brevemente receberá no conforto da sua casa uma carta com um prémio especial. Estou curioso saber de quanto será o prémio, especialmente sabendo que este prevaricador é reincidente. Espero sinceramente que o prémio seja maior desta vez, já que quando não se aprende a bem, aprende-se a muito bem!
E para os poucos que vão discordar com esta minha acção de denúncia, lembram-se de Pedrógão? Ilegalidades como esta contribuem decisivamente para a catástrofe...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A falta de água deve-se a uma péssima gestão dos recursos aquíferos...


O que inicialmente era uma excepção, tornou-se infelizmente uma regra. Mais uma vez Ansião ficou sem água, desta vez resultado dos efeitos secundários (cinzas) do incêndio ocorrido em redor da actual captação de água para o concelho de Ansião. Outras vezes acontece porque o S. Pedro está de férias. 
Quando chega à hora de justificar a falta de água, nunca surge a questão de fundo, ou seja os porquês da falta de alternativas que ajudem a mitigar este problema. Finge-se que não há um problema de fundo e chuta-se a coisa para a frente, já que é um tema particularmente sensível.
Quando eu sou incisivo na defesa dos recursos aquíferos da região de Sicó, e à falta de argumentos para rebater os factos comprometedores, há quem fale em fundamentalismos, tal o desnorte por parte de quem além de revelar evidentes sinais de iliteracia ambiental, tenta confrontar um especialista na matéria sem , contudo, apresentar qualquer tipo de argumento. Resta-lhes apenas a demagogia e o populismo, os quais só têm sucesso em sociedades pouco informadas.
Falta a responsabilização dos autarcas que além de não estarem a contribuir para arranjar uma solução, estão, na prática, a agravar o problema.
Estas duas fotografias são da antiga captação dos Olhos de Água, em Ansião. Até há uns anos, foi daqui que saiu muita da água que se consumia em Ansião. Já tive a felicidade de andar pelas galerias da nascente dos Olhos de Água e ajudar mergulhadores que exploraram parte deste aquífero. Sim, há água por debaixo dos nossos pés, mas infelizmente não temos cuidado dela. Há pouca ou nenhuma informação e pouca sensibilização por parte das entidades públicas sobre esta temática, daí eu regularmente abordar esta questão, facultando informação a quem faz do azinheiragate uma companhia regular.
Não tem sido dada a necessária atenção aos recursos aquíferos desta região cársica. Não têm sido tomadas medidas que, na prática, salvaguardem a qualidade dos recursos aquíferos, daí que hoje em dia seja um risco beber água destes aquíferos. Caso os recursos aquíferos tivessem sido salvaguardados, facilmente se teria uma reserva estratégica de água disponível sempre que houvesse problemas na captação da Ribeira de Alge. É isto que as pessoas precisam de saber, mais ainda em ano de eleições, já que mais do que nunca é agora que podemos e devemos interpelar os actuais candidatos às câmaras e juntas de freguesia.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...


segunda-feira, 10 de julho de 2017

É muito importante debater esta questão, percebam porquê...


Depois de saber que está a decorrer um processo que pode envolver a regularização/legalização da actividade de exploração de inertes na freguesia de Almoster, Alvaiázere, decidi que seria importante debater esta questão. Faço-o por vários motivos, em primeiro lugar porque é uma questão que deve ser debatida publicamente. A população deve ser envolvida neste debate e saber toda a informação possível, de modo a poder dar o seu contributo e decidir (sim, a população tem poder de decisão). Em segundo lugar estou saturado de ouvir o  pseudo argumento do costume por parte de empresas do ramo em causa. Acenam com os postos de trabalho sem, contudo, dizer o que é importante todos saberem. 
Trata-se de um projecto que envolve a exploração de saibro e areia, numa área de oito hectares (oito campos de futebol...). Trata-se, portanto, de um grande impacto ambiental/paisagístico naquela freguesia e de postos de trabalho que nada acrescentam aquele território. Não se tratam de postos de trabalho que acrescentem valor ao território e que retirem dali as mais valias do mesmo. Retiram sim valor ao território e é isso que as pessoas precisam de saber, para depois, e em consciência, decidir. Resta saber o que a população prefere ter, empregos estáveis e duradouros, que valorizem o território ou empregos a prazo que degradem o território.
Não me espanta este projecto, ainda mais sabendo que o PDM está em revisão e uma das hipóteses em cima da mesa é tornar esta área de REN uma área sem condicionantes à exploração de inertes, facto que não é ordenamento do território mas sim uma mera desclassificação de uma área com mais valias ambientais para uma área de exploração de inertes, com o inerente passivo ambiental.
Depois de ler alguma documentação, fiquei algo surpreendido com o facto de se estar a utilizar este projecto como que um "seguro" para uma outra exploração (pedreira). É algo que me preocupa seriamente, pois um projecto que utiliza este argumento demonstra uma fragilidade importante. Já não fiquei surpreendido em ler a argumentação da empresa em causa, populada por demagogia e populismo. E quanto ao texto do documento em causa, nem se fala, pois utiliza nuns parágrafos o "acordo" ortográfico e noutros não o utiliza (e bem). Há também erros ortográficos de realce, como o "impato".
Voltando à questão, a empresa em causa utiliza uma argumentação onde refere os impactos positivos da exploração, sem dizer objectivamente quais são e como são, omitindo contudo os impactos negativos, talvez pelo facto de não ser conveniente em termos de imagem para a população. Em vez de se centrar neste projecto, está continuamente a referir a sua outra exploração, abordando o cumprimento de normativos de segurança e saúde no que respeita aos colaboradores, mas esquecendo aqueles que vivem em redor desta exploração.
O documento que li tem muito daquilo a que denominamos como "palha". Quando seria por exemplo de esperar que se falasse numa suposta obtenção de declaração de interesse público, surge apenas "consequências da não obtenção de declaração de interesse público". Em vez de se falar nos impactos ambientais da exploração, tal como é suposto, fala-se nos custos sociais e económicos da não exploração da "pedreira". É, portanto, uma narrativa parcial, algo que deve ser devidamente apontado. Se há formas de criar empregos duradouros e que não impliquem a destruição e degradação de partes do território, porque devemos nós aceitar esta demagogia de uma empresa num documento que deveria ser imparcial? Porque é que tem de ser o interesse de uma empresa a impor-se ao interesse público? Deverá esta exploração ser reconhecida como do interesse público, sem que exista debate público? Porque não há debate sobre este suposto interesse público?
E que tal promover-se um debate público, sem estereótipos e populismos sobre este projecto? Em democracia é natural que isso aconteça. E porque é que a Junta de Freguesia de Almoster não promove um debate, já que o projecto é relativo à sua freguesia? É certo que o actual presidente da junta de freguesia não é o mais competente para se envolver em questões ambientais, mas mesmo assim tem essa obrigação. 
Há uns dias introduzi a questão num grupo do facebook de Almoster. Inicialmente a reacção de uma ou duas pessoas foi de apoio ao projecto, contudo, e depois de eu desenvolver a questão, as reacções foram diferentes. As pessoas começaram a estranhar não saberem nada de concreto sobre o projecto e não saberem nada sobre a dimensão do mesmo ou das consequências e impactos ambientais. (não conheço nenhum estudo de impacto ou incidências ambientais, tal como seria de esperar...). Começaram a fazer perguntas, algo que será sem dúvida incómodo para a empresa em causa, mas que é de salutar em termos de cidadania activa e uma democracia que se pretende sã.
Ou seja, eu dei o tiro de partida, esperando agora que o debate prossiga...

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Devolver o espaço às pessoas ou aos carros? Fiquei confuso...



Foi há 6 meses que abordei aqui uma questão que teve um impacto colossal em termos de visualizações no azinheiragate (14 000 em 4 dias...) e que mexeu com a identidade de Chão de Couce. No último fim-de-semana voltei ao local, de modo a efectuar novo registo fotográfico.
Foi há 6 meses que a Câmara Municipal de Ansião referiu que (1) aquele local estava a ser alvo de intervenções que pretendiam devolver o espaço às pessoas e à sua mobilidade, que (2) acrescentava modernidade e urbanidade, e que (3) o freixo ali situado não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, bem como constituía um perigo para a circulação naquela zona.
Rapidamente concluí, com a ajuda de um botânico, que a árvore em causa não estava doente ao ponto de ser cortada, sendo um falso argumento. Não constituía portanto um perigo para a circulação naquela zona. Era, infelizmente, um falso argumento para legitimar o corte da árvore, que claramente estorvava a quem fez e a quem aprovou este projecto.
Quanto à classificação ou protecção da árvore, há que referir que não há propriamente uma cultura de protecção ou classificação das mesmas, mas sim uma cultura do corta corta, típica em Portugal.
Fiquei perplexo com as justificações em causa, ainda mais porque a obra deveria ter sido alvo de discussão pública, tal como acontece em países desenvolvidos. Os argumentos não me convenceram, seja pelo facto de se argumentar, sem fundamentar devidamente, que se devolvia o espaço às pessoas e à sua mobilidade, seja pelo facto, de tal como a obra estava pensada, não acrescentar modernidade e urbanidade desejável, retirando sim identidade ao local. Tudo isto teve os impactos conhecidos na hora de as pessoas manifestarem a sua revolta pelo abate do freixo. Não esperei que tantas pessoas mostrassem o seu descontentamento, nem mesmo de forma tão expressiva. Isso aconteceu porque parte da sua identidade foi obliterada sem apelo nem agrado com esta obra. 
Mas voltando ao início, agora, e após a obra terminada, eis que no lugar do freixo supostamente doente, surge um... estacionamento. Típico...
E antes que surja a reacção do costume, não, não sou contra esta obra, mas sim contra o facto de não ter havido discussão pública, facto que levou a este desfecho. Caso tivesse havido discussão pública o freixo não teria vindo abaixo... Continua a insistir-se na tecla da não discussão pública, da não integração de elementos pré-existentes e da obra tipo chapa 5. E depois falam em identidade e na Marca Ansião como factor de diferenciação...

terça-feira, 27 de junho de 2017

É um erro que importa reconhecer e corrigir...


Não é a primeira vez que abordo esta questão e, caso se mantenha, não será a última vez. Falo, claro, do erro que é juntar o Festival do Chícharo de Alvaiázere com as festas do concelho (FAFIPA), em Junho. O Festival do Chícharo deveria voltar a ser na altura própria, ou seja em Outubro, já depois da colheita desta bela e saborosa leguminosa. Ou seja, não é de todo boa estratégia promover um festival do chícharo antes da sua colheita. A lógica das festas das colheitas é mesmo ser após a colheita do produto em causa, de forma a celebrar o mesmo, nunca antes.
Este retrocesso, em termos de marketing territorial, ocorreu há cerca de uma década, sob a égide do anterior autarca, Paulo Morgado, que, devido a alegados constrangimentos económicos, decidiu que era uma boa opção deixar de realizar o Festival do Chícharo em Outubro. Já houve demasiadas mudanças, as quais afectaram a imagem desde festival. Santa Catarina da Serra, em Leiria, onde se realiza um outro Festival do Chícharo, deve estar muito agradecida com este pára arranca...
Foi uma péssima decisão, em termos de marketing territorial. Não se pode andar a acabar com um festival no mês indicado, mudando-o para outra altura. O factor financeiro não pode desvirtuar um festival deste género e desta importância. O factor financeiro não é sequer decisivo para se organizar um festival deste género, pois com pouco pode-se fazer muito. E em Alvaiázere há que tenha a sabedoria e criatividade para fazer muito com pouco... 
E isto não significa que o chícharo não possa ter o devido destaque nas festas do concelho. Pode e deve  ter algum protagonismo durante a FAFIPA, funcionando como rampa de lançamento para o Festival do Chícharo em Outubro de cada ano. Há, portanto, que repensar esta questão, a bem da identidade local e do marketing territorial. As coisas têm mudado nos últimos tempos, esperando eu que se consolide o que de bom se está a fazer e que não volte a acontecer o mal que já aconteceu.
E falando em marketing territorial, no dia 20 de Junho foi apresentado publicamente um vídeo de grande qualidade sobre Alvaiázere, o qual recomendo vivamente que visionem. É uma bela ferramenta de marketing territorial, a qual vos desafio a partilhar nas redes sociais. Se as entidades públicas forem coerentes e consequentes com o que ali é mostrado e dito, então Alvaiázere terá um futuro bem risonho. É algo pelo qual pugno há 13 anos. O património merece!


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não somos apenas vítimas, somos também, e acima de tudo, cúmplices!


Podia colocar aqui uma daquelas fotos de grande impacto de um incêndio absolutamente destruidor a vários níveis e que ficará na história como o maior atestado da nossa incompetência, inacção e passividade enquanto povo perante um problema que já vai com quase 4 décadas. Mas não coloco, já que não sou apologista disso. Prefiro colocar apenas uma foto feia, com menos impacto e sem chamas à vista, mesmo que isso signifique menos visualizações. Não pode valer tudo, é uma lição que dou especialmente à TVI, mas não só...
Não me vou alongar sobre as causas que, em conjunto, levaram a esta tragédia, já que as causas são sobejamente conhecidas e, diga-se, estou cansado. O que falta então?
Falta atitude de todo um povo, a qual tem possibilitado uma letargia que já vai com quase 4 décadas. A falta de ordenamento do território é, no concreto, a causa de tudo isto. E todos temos culpa no cartório, uns mais do que outros, obviamente. Não é só o político tem culpa. O político é apenas o reflexo de quem os elege. A culpa é também de quem conhece bem esta realidade e teima em não limpar em redor das suas casas. Mas não só. Somos todos culpados morais desta tragédia e isso tem de ser dito com todas as palavras, goste-se ou não.
A melhor homenagem que podemos fazer aos que partiram será promover, de facto, o ordenamento do território, pois essa será, de facto, a única forma estrutural de precaver mais desastres como este. A melhor homenagem que podemos fazer aos que ainda vão resistindo por esta região é promover, de facto, o ordenamento do território. Promover o ordenamento do território é algo de complicado, é um facto, mas também é um facto que não temos feito por isso. Se não metermos mãos à obra tudo isto voltará a acontecer, mais tarde ou mais cedo. Há passividade, há inacção, há incompetência, há interesses e outras coisas mais. Que esta tragédia sirva de uma vez por todas para resolver um grave problema. Resta saber que vamos ter a coragem de o fazer ou se continuaremos a ser uns covardes, tal como temos sido nas últimas décadas.
E que ninguém se tente demitir desta tarefa. Seja em maior ou em menor grau, todos teremos um contributo para dar nesta nossa obrigação, ordenar o território, possibilitando o desenvolvimento territorial de toda uma região e de todo um país. E notem que o problema não acaba quando as câmaras da televisão forem embora. Trata-se de um problema que começou há poucos dias e que se prolongará durante algumas décadas... 

sábado, 17 de junho de 2017

Centro de Arqueologia de Alvaiázere, uma excelente novidade para Sicó!


Imagens: Alexandra Figueiredo

É uma novidade que, infelizmente, não está a ter o devido destaque na imprensa regional. A arqueologia na região de Sicó ganhou uma nova vida, pois foi inaugurado há poucos dias o Centro de Arqueologia de Alvaiázere, projecto do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Alvaiázere. Estão ambos de parabéns por esta ideia ter chegado a bom rumo.
A ideia já poderia ter sido consumada há mais tempo, dada a incompetência do anterior autarca no domínio da temática patrimonial. Há 10 anos eu estava a trabalhar em Alvaiázere numa ideia que além de englobar dois centros de interpretação ambiental (Escola da Geodiversidade e Escola da Biodiversidade/Centro Ciência Viva do Carvalho Cerquinho) englobava um outro espaço, ou seja a reconversão de uma antiga escola primária para um espaço que pudesse receber investigadores de várias áreas. Infelizmente o projecto foi metido na gaveta, mas eis que Alvaiázere ganhou uma vida nova, sem ressabiamentos e vinganças à mistura.
Com esta infra-estrutura todos ficam a ganhar, Alvaiázere e a própria região de Sicó, que agora fica com um espaço de referência para a investigação. É de salientar também a dedicação no domínio da arqueologia da Directora do Museu Municipal de Alvaiázere, Paula Cassiano, que, em conjunto com um pequeno núcleo duro, mantiveram a chama da arqueologia viva em Alvaiázere num tempo onde a arqueologia era um parente pobre na temática do património.
Espero agora por novas descobertas, já que toda esta região tem muito por descobrir!




terça-feira, 13 de junho de 2017

Trail do Chícharo: não fazer o que foi feito...


Foto: José Antunes

À primeira vista pode parecer um mero monte de pedras, contudo é algo de importante e que se deve preservar. Sei que a intenção era boa, contudo a consequência é bastante negativa.
Já por mais que uma vez falei do impacto negativo que provas desportivas podem ter, nomeadamente ao passarem por locais onde não deveriam passar. Isto acontece por manifesta falta de conhecimento, daí eu fazer questão em abordar mais uma situação do género.
Quando tive conhecimento do Trail do Chícharo fiquei contente, já que Alvaiázere e as suas gentes merecem e quem não é de lá merece ser presenteado com uma prova deste género. Conciliar o desporto com paisagens fantásticas é algo de inesquecível. E a Serra de Alvaiázere, mesmo apesar da destruição causada pelo parque eólico (em área supostamente protegida...), vale mesmo a pena visitar. Já agora, é o ponto mais elevado do Maciço de Sicó.
Contudo há um grande senão, ou seja o facto da prova em causa ter passado por um local onde nunca deveria ter passado, num local que deveria ter estatuto de protecção, dada a sua importância patrimonial. Quando vi a foto que ilustra este comentário, e que retirei do facebook de um amigo meu,  fiquei perplexo. Sei que a organização teve boas intenções, mas fazer passar a prova por ali foi um erro, o qual espero que não seja repetido.
Pode parecer que se trata de um monte de pedras, contudo há ali algo de muito importante em termos de património natural. Falo, claro, das cascalheiras de gravidade da Serra de Alvaiázere, um local de interesse geomorfológico importante e que importa preservar. A sua preservação passa fundamentalmente por medidas que impeçam o trânsito de pessoas por aquele local, evitando assim o pisoteio. Uma coisa é passar por ali uma pessoa uma ou duas vezes por ano, outra é passarem dezenas ou centenas de pessoas num par de horas. Em poucas horas promoveu-se um impacto que não aconteceu em alguns milhares de anos...
Importa também salientar que naquele local já foram encontrados vestígios arqueológicos (cerâmica), portanto ao património geomorfológico junta-se também a questão da arqueologia. 
Para quem estiver interessado em saber mais, pode encontrar informação sobre este local de interesse geomorfológico num trabalho meu, de 2008, na página 115:
Agora um apelo, aquando do planeamento de provas do género, tentem informar-se sobre documentos técnicos vários que possam existir sobre esta e outras áreas, pois ao estarem informados dos valores ali presentes, podem não só conhecer património que desconhecem bem como preservar este mesmo património, evitando a sua degradação. É fácil evitar este tipo de situações, bastando para isso uma nova atitude na abordagem à questão. E se pedirem algum tipo de ajuda, terão certamente resposta por parte de quem conhece coisas que vocês não conhecem. E através desta troca de conhecimento, ficamos todos a ganhar e o património agradece!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Voltei ao Alvorge e fiquei... emporcalhado!


É um assunto tremendamente incómodo para as pessoas e entidades envolvidas nesta questão. É uma questão que se arrasta há vários anos, sem que se tenha feito algo para acabar com este atentado ambiental.
Em Abril de 2016, a Provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar "a água sai límpida para uma linha de água". Foi uma afirmação que, de facto, não correspondia à verdade, sendo apenas uma defesa, diga-se muito mal montada, de quem tem responsabilidades pela situação. Chegou ao cúmulo de negar a poluição, imagine-se...
Há também co-responsáveis, neste caso a Câmara Municipal de Ansião, que fez um "esgoto" para terra de ninguém, sem qualquer ligação à rede de saneamento.


Até agora nada se fez para resolver este grave problema, facto que me preocupa tendo em conta o enorme potencial de contaminação dos aquíferos. Não sei o nível de contaminação dos mesmos, contudo, e enquanto geógrafo físico ligado à temática do carso (calcários), estou profundamente preocupado com esta situação. Casos como este são graves, mas em meio cársico são particularmente graves, dada a susceptibilidade à poluição do mesmo.
Para que conste, estas fotografias foram tiradas há poucas semanas...


Seria particularmente interessante promover-se um debate público onde estivessem presentes a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha (actual Presidente) e o Sr. Fernando Marques (ex. Presidente, actual candidato do PSD e político sempre apoiado pela Srª. Maria Luísa Ferreira). 


Ao contrário do que alguns possam pensar, esta questão não está fechada, muito pelo contrário e a duas frentes. Numa frente a nível legal e noutra frente a nível político. E o "maravilhoso" disto é que este é ano de autárquicas, onde questões como esta costumam ser bastante comprometedoras para quem contribuiu para elas, por isso é um tema que irei destacar nos próximos meses...
Esta é uma situação que está acima de politiquices mesquinhas. Esta é uma situação que coloca em risco a saúde pública, dada a contaminação dos aquíferos. Esta é uma situação inaceitável, daí eu vos pedir que partilhem este comentário. Ao partilhar estão indirectamente a ajudar a que a situação se resolva. E já agora, para os ansianenses, questionem todos os candidato/as às autárquicas, sem excepções, sobre esta situação. E se alguém recusar o debate, lembrem que dia 1 de Outubro é dia de "ajustar contas".
Só para finalizar, se ouvirem a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha ou o Sr. Fernando Marques a opinar sobre a componente técnica/ambiental desta questão, digam-lhes que não têm competências na matéria e que deixem isso para os especialistas.
Para o pessoal do Alvorge, não tenham receio, pois mesmo para os que não querem ter problemas, vocês podem ajudar a resolver o problema, nem que seja "apenas" através do voto.


domingo, 4 de junho de 2017

Ajudar à festa!


Nos últimos anos parece que as festas populares voltaram à baila. Não sei se é impressão minha, mas parece-me que, nos últimos anos, as festas populares têm vindo a ganhar uma nova dinâmica, talvez devido ao facto do pessoal mais jovem ter conseguido ajudar à festa, literalmente, imprimindo uma nova dinâmica nas mesmas. Uma imagem mais actual, mais apelativa e mais actividades para todos nós. É algo que nos deve orgulhar, já que as festas populares da região de Sicó são, de facto, populares.
Há que ajudar às festas do vosso bairro, da vossa terra e divulgar as mesmas. Há que trazer a esta região quem não é de cá e contribuir para que estas pessoas conheçam a nossa cultura e o que de melhor temos em termos culturais e não só. Há que não só manter bem como potenciar estes tesouros culturais da região de Sicó, claro que sem lógicas circenses. 
Siga a festa!


domingo, 28 de maio de 2017

Recuperar o controlo dos baldios



As transformações económicas, sociais, culturais e outras mais relegaram o espírito comunitário para segundo plano durante demasiado tempo. No que concerne aos baldios, trata-se de um exemplo perfeito que ilustra isso mesmo. Durante anos a fio poucos foram os que fizeram questão em trabalhar o sentido comunitário que os baldios representam. As comunidades locais actuais da região de Sicó sofreram transformações significativas nas últimas décadas, daí o consequente desinteresse pelos baldios. Uma comunidade mais virada para os sectores secundário e terciário é, regra geral, uma comunidade afastada dos valores da terra, tal como ocorre na região de Sicó.
Mas houve algo que mexeu com a temática dos baldios. Desde que surgiram os parques eólicos, novos problemas surgiram e não é para menos, já que basicamente se começou a ganhar dinheiro fazendo nada. Isso fez com que houvesse disputas territoriais à conta dos parques eólicos.
Pessoalmente, e se dependesse de mim, não haveria um único parque eólico na região de Sicó, dado o seu valor paisagístico. Teria recusado a construção de parques eólicos nesta região, já que há outras formas de ganhar dinheiro e sem degradar algo de muito valioso para a região de Sicó, ou seja a sua paisagem. As pessoas foram na conversa do "bandido", acreditando que a luz ia ficar mais barata. Além de não ter ficado mais barata, ainda pagam parte dos parques eólicos, através de factura que mensalmente surge na caixa de correio. E não, não sou contra os parques eólicos. Quando eu já falava deles, na década de 90, muitos chamavam-me "maluquinho" por falar em ideias tão revolucionárias em Portugal. Sou a favor da energia eólica, mas não a qualquer custo, é claro e conciso.
Daqui a 10/15 anos alguns dos actuais parques eólicos serão mera arqueologia indústrial. Na próxima década a microgeração será parte importante do mix energético. A energia solar terá uma palavra muito importante e as baterias de lítio serão coisa do "passado". E esta realidade não é do futuro, pois já existe.
Mas voltando à terra, há umas semanas deparei-me com o cartaz que consta na fotografia. Gostei de ver a mensagem ali presente. Tenho gostado também de ver o activismo em prol dos baldios e contra as crateras lunares na serra de Sicó. Vamos recuperar os baldios e retirá-los da mão de quem não os sabe gerir? É que há juntas de freguesia e autarquias que além de não os saberem explorar de forma sustentada, apenas os sabem degradar e/ou destruir. Para estas é mais fácil entregar um baldio à exploração de uma pedreira do que saber gerir um baldio de forma sustentada. Esse é um dos grandes problemas que se observa na região de Sicó. Vamos valorizar o nosso território?!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Passaram 10 anos: o que mudou na região de Sicó?


Há 10 anos eu era um mero técnico de uma autarquia, sem influência alguma, mas daqueles com bichos carpinteiros. Há 11 anos (finais de 2006) eu tive a ideia de propor a organização de um evento pouco provável naquele tempo. A ideia foi aceite, contudo na condição de ser eu a "desenrascar-me". Aceitei a condição e até hoje este é um dos momentos dos quais mais me orgulho em termos profissionais. Modéstia à parte, foi um marco para a região. Consegui a presença de alguns dos maiores especialistas nacionais e isso fez toda a diferença. E nem o facto de ter sido um evento organizado num concelho pouco provável para o efeito fez mossa, ou seja o evento correu muito bem, sendo até hoje recordado no bom sentido. Aliás algumas das ideias então tratadas (ex. aldeias do carso) estão actualmente na baila, mostrando que estávamos à frente do nosso tempo em termos de ideias a desenvolver neste território que é Sicó.
O intuito deste evento era simples, ou seja reunir pessoas e especialistas no domínio do desenvolvimento territorial, de modo a debaterem-se ideias concretas para a região, mas numa perspectiva diferenciada e, até então, pouco debatida publicamente. Apesar de ser um evento específico, concretamente pelo facto de querer debater o papel do património geológico e geomorfológico para o desenvolvimento sócio-económico na região de Sicó, isso não foi entrave, já que se conseguiu reunir investigadores, actores de desenvolvimento locais e cidadãos.
Contudo, e apesar de tudo isto, o tempo tem mostrado que é difícil as boas ideias seguirem o seu rumo nesta região (Sicó). O rumo das coisas continua a ser moldado por uma série de interesses que, na maior parte das vezes, não são coincidentes com o interesse público. E mesmo algumas das ideias que são colocadas em prática são convenientemente capturadas pelos tais interesses, que se colam às mesmas e as condicionam a jusante, numa espécie de parasitismo económico. Muitos sabem disto mesmo, mas raros são os que o dizem abertamente e sem receio de represálias. Eu sou destes últimos, falando abertamente sobre muitos temas tabú, sendo temido por isso mesmo.
Mas voltando ao início, mais precisamente ao título que dá mote a este comentário, o que mudou na região de Sicó neste domínio? Objectivamente falando, nada! Quem é responsável por isso? A resposta é simples, especialmente sabendo que este ano há eleições autárquicas...
A ver vamos o que surge nas propostas dos vários candidatos às autárquicas na região de Sicó, seja candidatos às câmaras, seja às juntas de freguesia. Sejamos exigentes para quem nos pretende governar. Sabem qual é uma das principais diferenças entre aqueles países desenvolvidos que tanto gabamos e entre nós e o nosso país? Nós não somos exigentes nem participativos na hora de decidir o nosso futuro. Simplesmente votamos e delegamos responsabilidades, quando deveríamos votar e participar activamente nos processos de decisão durante os 4 anos de governação autárquica. Resta saber se querem continuar a ser meros espectadores ou então serem actores de promoção e desenvolvimento territorial, tal como é de esperar num país desenvolvido. Na primeira opção têm tudo a perder, enquanto que na segunda opção têm tudo a ganhar. E lembrem-se que sem trabalho nada se faz...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Paisagem da vergonha...


Situações como esta são demasiado comuns na região de Sicó. Situações como esta ocorrem por vários motivos, sendo que um dos quais, e à parte da idiotice de alguns chico-espertos, é a falta de locais de recepção de resíduos de construção. Em 2010, e aproveitando o facto de ter sido coordenador concelhio do Limpar Portugal, em Ansião, sugeri, em reunião com a Câmara Municipal de Ansião e com algumas das entidades que deram apoio a esta iniciativa, caso da empresa ELIMUR, a criação de um espaço de recepção de resíduos de construção. Na altura foi uma ideia bem recebida por todos. Fi-lo porque dos 250 locais que georeferenciei como locais de deposição ilegal de resíduos, parte importante deles tinha resíduos de construção. 
Há poucos meses ouvi a referência de que deveria surgir algo do género em Ansião, talvez na antiga pedreira do Camporês, por parte de Rui Rocha, contudo, e até agora, já passaram 7 anos sem que surgisse algo de palpável, portanto a ver vamos o que se segue. Este problema ainda não é assumido, de facto, como um grave problema, já que se o fosse já teriam surgido soluções e a única solução de que tenho conhecimento surgirá daqui a 1 ou 2 anos, num outro município da região de Sicó. 
Até lá há que fazer sensibilização ambiental e cívica e denunciar quem despeja este e outros tipos de resíduos um pouco por todo o lado. Ficamos todos a ganhar e isso nunca é demais referir! 
A paisagem cultural de Sicó merece toda a nossa dedicação, portanto todos devemos pugnar pela preservação deste valioso recurso. Se não cuidarmos da nossa bela casa quem cuidará?!

domingo, 14 de maio de 2017

Chegado ao CIMU da serra, esbardalhou-se...


Há quase dois anos que abordei a questão do CIMU, ou seja falei sobre o Centro de Interpretação e Museu da Serra da Sicó e sobre o que esperava para o que se seguiria após a conclusão das obras. Confesso que acreditei que a coisa por esta altura já estaria concluída, contudo Sicó tem uma sina que, diga-se, é reflexo apenas da falta de competência de quem (des)governa esta região. Um potencial incrível, património diversificado, algumas pessoas competentes, contudo a sina parece que é mais forte. A incompetência acaba por prevalecer sobre a competência, tal como fica à vista.
Por estes dias voltei aos Poios, de modo a ver como estava a coisa a correr. Já sabia que não estava a correr propriamente bem, mas não queria comentar sem lá voltar, daí, e apenas agora, voltar à carga. Resumindo, a obra está parada há mais de 1 ano e o orçamento parece que não será suficiente para a finalizar, algo de típico neste belo país plantado à beira-mar.
Culpados procuram-se, contudo cheira-me que a culpa vai morrer solteira. Será que a obra vai ser finalizada? E os tantos apoios institucionais que surgiram por parte de entidades várias, o que têm estas a dizer agora?


Os centros de interpretação ambiental da região de Sicó parece que padecem de um problema muito grave, já que todos eles têm tido histórias curiosas. Os autarcas parece que confirmam o que se diz há muito tempo, ou seja deixam muito a desejar na hora de levar a bom porto projectos de grande importância, nomeadamente no domínio ambiental e patrimonial. E isso, para eles, parece que não é problema, já que nós, sicoenses, não somos exigentes para com os nossos autarcas. A cidadania activa não é para a maioria de nós algo que cultivamos e pelo qual pugnamos, preferindo ficar no nosso cantinho, pelo menos até que nos cheire a queimado...
Que tem Diogo Mateus a dizer sobre o assunto? E não, não quero ouvir aquela história do costume, onde se sacode a água do capote. Será que vamos assistir a um milagre, onde um autarca pede desculpa por este desastroso processo? E a Terras de Sicó, o que tem a dizer sobre o assunto?


Para terminar, um apontamento sobre um pequeno pormenor. Do outro lado da estrada, procedeu-se ao aterro de uma parte do terreno, algo que lamento, e para piorar, não se trata apenas de terra, mas sim de uma mixórdia que inclui lixo. Com práticas destas, é normal que as coisas não corram bem para quem as faz...



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arde porque deixamos que arda...


Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Já lá vão 7 anos de espera e até agora... nicles!


É uma das minhas muitas "lutas" dos últimos anos. Como explicar que as entidades públicas não se preocupem com a questão do encaminhamento e reciclagem de resíduos tão poluentes como lâmpadas?
É isto que se passa por exemplo em Ansião, onde parece que a reciclagem de lâmpadas é um não assunto. Mesmo no ecocentro, situado no camporês, não há espaço para as lâmpadas, será isto aceitável? 
Há coisa de 7 anos tomei a liberdade de enviar um pedido directamente à Amb3E, de modo a solicitar a colocação de um ponto electrão, para lâmpadas, em Ansião. Foi-me respondido que, na altura, não estavam a equacionar a questão. Meses depois voltei à carga, e nesse altura foi-me dito que estariam alegadamente a tratar o assunto com a Câmara Municipal de Ansião. Durante uns tempos acreditei que sim, até que me fartei de esperar e me desloquei aos serviços da Câmara Municipal de Ansião (CMA), de modo a pedir informações sobre o andamento da situação. Descobri hoje que, nessa altura, não ficou nenhum registo do sucedido, algo de compreensível já que o sistema era diferente do actual. Mas voltando à narração dos factos, e quando fui então à CMA, foi-me comunicado que, alegadamente, estavam a estudar a localização para um ponto electrão em Ansião, algo que sinceramente é absurdo, já que fazer um estudo para isto é realmente absurdo.
E hoje, novamente, desloquei-me aos serviços camarários, de modo a ver como estava o processo. Nada de nada. Será que é com a vinda do papa que acontece o milagre de Ansião ter um ponto electrão, para recolha de lâmpadas? 
Mas não me fiquei por pedir um apenas, pois solicitei um ponto electrão para cada uma das sedes de freguesia. Parece-me que já deverá ser o suficiente numa fase inicial.
A foto que ilustra este comentário é de um de dois pontos de armazenamento de lâmpadas. Este é num local que não da minha responsabilidade, embora tenha sido eu que tenha pedido o espaço para guardar as lâmpadas. Brevemente será demolido, portanto há que arranjar solução para as lâmpadas. Existe um outro, num local da minha responsabilidade, onde estão guardadas umas quantas dezenas de lâmpadas, que vieram precisamente deste local que consta na foto. Já estão cheias de pó, tal o tempo de espera...
Durante algum tempo fui encaminhando lâmpadas para pontos electrão em Coimbra ou outras cidades onde já existem há anos, mas a quantidade que continuava a chegar aos pontos de armazenagem que referi fizeram com que se tornasse complicado andar a passear com tantas lâmpadas, ainda mais sujeito a levar uma multa por ser apanhado com elas no carro.
A ver vamos quanto tempo mais demora até Ansião ter pontos de recolha para lâmpadas. Enquanto isso não acontecer eu sentir-me-ei obrigado a fazer estes lembretes, já que uma das coisas que percebi já há alguns anos é que o facto de eu ser conhecido e falar em certas questões, ajuda a resolver algumas coisas.
E pelos outros concelhos da região de Sicó, como estão as coisas em termos de recolha de lâmpadas? Fica a questão, que espero que ajude de alguma forma a estimular as pessoas a exercer a cidadania activa, tal como eu o faço.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Aldeias do carso: pelo menos uma década atrasados, como aliás é costume...


Para todos os efeitos é, teoricamente, uma boa notícia, contudo daí, e até a ideia se materializar e ter sucesso vai um caminho muito longo e fortemente dependente da competência de quem estiver à frente do processo. E como bem sei, são poucas as boas ideias que têm sucesso na região de Sicó, culpa dos interesses do costume. Brevemente irei abordar uma outra ideia que tem tido um caminho desastroso, ali para os lados de Pombal...
Mas vamos então à questão que me leva a escrever estas linhas. Trata-se da ideia das aldeias do carso/ calcário, que vem novamente à baila, desta vez pela mão da dita Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó.
Estou realmente curioso para saber o que um ex vereador de Alvaiázere tem a dizer sobre esta questão, já que quando lancei a ideia no colóquio "Desenvolvimento sócio-económico promovido pelo património geológico e geomorfológico nas Terras de Sicó", há 10 anos, esse tal ex vereador disse basicamente, de uma forma politicamente correcta, que não era uma grande ideia e que era uma ideia de alguém novo demais para saber o que seria um projecto de valor para a região de Sicó. Aposto que agora vai dizer que é uma ideia genial, e caso eu o veja a afirmar isso mesmo, irei relembrá-lo das suas palavras há 10 anos, o que terá a sua graça...
Trata-se de uma ideia que tem tudo para singrar, faltando apenas quem tenha a competência para o fazer da melhor forma. Esta ideia já poderia existir, na prática, há muitos anos, contudo a falta de competência de entidades politizadas, como a Terras de Sicó, e dos nossos autarcas tem atrasado o processo. 
Não vou lançar foguetes, até porque já noutros casos os lancei e depois arrependi-me (o tal caminho desastroso que insinuei atrás...). As aldeias do xisto já existem há alguns anos e as aldeias do carso (calcário) irão surgir inevitavelmente mais ano menos ano, seja na região de Sicó seja na região D´Aire e Candeeiros, onde aliás esta ideia também tem sido falada nos últimos 8/9 anos. 
O absurdo disto é que esta nem é uma ideia complicada, mas sim uma ideia simples e com tremendo potencial. O único risco é que alguns interesses económicos tentem de alguma forma manipular a ideia, desvirtuando-a, para que os seus interesses prevaleçam. 
Na região de Sicó já vi um bocado de tudo, também no domínio do turismo.
Mas deixando de lado estas questões, a ideia das aldeias do carso (e não do calcário...) tem, teoricamente, muitas pernas para andar. Os benefícios são imensos e não falo sequer do turismo, mas sim da recuperação do imenso edificado ao abandono. Há ainda muito a preservar da arquitectura vernacular, começando pelas aldeias do carso e continuando pelo restante edificado, seja nos pequenos lugarejos seja nas nossas vilas, já que aí ainda há muita matéria-prima para trabalhar. E o sector da construção, que até há poucos anos tinha algumas dificuldades em largar a construção de raiz e entrar na vertente da reabilitação, terá um papel importante.
Preservando o que temos de melhor e integrando todo este património no nosso dia-a-dia, actualizando-o, é algo que nos faz melhores pessoas e mais merecedoras de uma região com um património e uma cultura valorosos!
A ver vamos como vão ser os próximos episódios da ideia das aldeias do carso...


domingo, 23 de abril de 2017

Quem semeia ventos, colhe património...


Faltam poucos dias para o final do prazo de apresentação de propostas ao orçamento participativo do município de Ansião, daí estar agora a "picar" os ansianenses para que participem activamente neste processo, apresentando propostas concretas. Claro que tenho também o intuito de "picar" todos os sicoenses para que façam o mesmo nos seus respectivos municípios, logo que se propicie isso mesmo.
Este ano decidi apresentar apenas uma proposta, ao contrário de 2016, onde apresentei 4 propostas. Porquê? Simples, este ano o valor da proposta é igual ao valor da verba disponível, daí não fazer sentido apresentar outras propostas, que concorressem entre si. Em 2016 apresentei 4 propostas diferenciadas, de valor reduzido, não representando uma espécie de concorrência entre si.
Sim, a proposta deste ano é sobre moinhos de vento, esse belo objecto patrimonial que teima em não ser devidamente potenciado e valorizado. 
Há umas semanas, e pensando no dia nacional dos Moinhos e Moinhos abertos 2017, apresentei, numa associação da qual faço parte, a proposta de envolver um dos moinhos desta região para promover a actividade em causa, contudo, e após pedir informação a quem sabia da coisa, fiquei a saber que não seria possível, já que esse mesmo moinho, que não o da foto (Serra da Portela, Pousaflores), não estava funcional. Foi então que surgiu luz e ponderei a ideia. Apresentei uma proposta que tem como intuito arranjar aquilo que está estragado, recuperar o que está por recuperar e valorizar todos estes moinhos de vento. A esmagadora maioria é de madeira, tal como o da Serra da Portela, e um outro é de metal. Penso que é algo de exequível, mas a ver vamos se o mesmo vai ser aceite para ir a votos. Caso a proposta seja aceite, irei naturalmente pedir o vosso voto, de modo a valorizar a molinologia da região de Sicó. 
Tenho visto que há mais pessoas a pensar da mesma forma na região de Sicó, e algumas delas a trabalhar para que isso aconteça, portanto há que pugnar para que esta bela paisagem comece a ver mais moinhos de vento a funcionar, já que é algo de fabuloso e que pode representar uma mais-valia bastante interessante...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mudam-se os tempos, não muda a passividade...


Não é caso único, muito pelo contrário, contudo sempre que por ali passo olho para lá e, por vezes, paro novamente, de forma a reflectir mais um bocado sobre esta temática. Estar frente a frente com o objecto é uma das melhores formas de pensar as coisas.
Não, não vou dizer onde isto é, senão ainda corria o risco de algum chico-esperto dar com o que vêm nas fotos e subtrair dali alguns destes objectos de valor histórico.
A região de Sicó é pródiga em património e isso tem duas faces, ou seja, por um lado algum património preservado e classificado e, por outro, muito património ao abandono e totalmente desprotegido. Isto é um problema muito grave, contudo, e para a maior parte, é um problema sobre o qual além de não falarem, é uma questão sobre a qual não perdem tempo, já que o importante é tudo menos o que é realmente importante. A identidade da região é algo sobre o qual muitas pessoas não querem saber na prática, muito embora, e caso indagados sobre a questão, muito digam que é realmente importante.


Importa debater esta questão, a bem da nossa identidade. Muitos lugarejos desta bela região têm muito património ao abandono, restando saber a melhor forma de o preservar, caso obviamente haja interesse, bem como as melhores opções para a sua valorização. E quando falo de valorização não falo da típica (i)lógica circense que muitas vezes se vê na hora de tentar valorizar o património, mas sim de valorizar de forma integrada, aproveitando também para recuperar velhos hábitos e formas de estar e incluir os mesmos na actual vivência de cada um de nós. Sim, é possível, contudo há que saber trilhar o caminho, facto que é um dos crónicos problemas desta região.
Uma das primeiras formas de o fazer é começar pela base, ou seja por vós próprios, que vivem nesses lugarejos ou que têm algum tipo de ligação aos mesmos. Há que pensar soluções, ousar, debater ideias e tentar fazer nascer algo de inovador. É assim que se faz noutros países, noutras regiões e noutros lugarejos. O que os diferencia de nós e deste abandono? A atitude pró-activa!


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ouvi dizer que a espécie humana é a mais inteligente, contudo tenho muitas dúvidas...


Não me choca que cortem carvalhos ou azinheiras, já que, por vezes, isso mesmo é necessário para gerir a floresta. Claro que quando falo em cortar carvalhos, não falo em cortar carvalhos com dois séculos, pois isso é, para mim, criminoso. Falo sim em cortar alguns espécimes do estrato arbustivo, onde a densidade é demasiado elevada, tal como acontece em alguns terrenos abandonados por privados ou por entidades públicas.
Findado este esclarecimento prévio, vou então ao que me leva a escrever estas linhas. Há uns dias fui alertado para o abate de algumas árvores centenárias, uma delas era um belo carvalho português, centenário (deve rondar os dois séculos...). As outras árvores, entre as quais freixos (com Tamarix) e um choupo negro quais faziam parte da galeria ripícula de um tributário do Rio Nabão, no limite de Alvaiázere (Almoster) com Ourém.
Solicitei fiscalização por parte das autoridades e espero pelo menos uma multa para quem fez este disparate. Penso que a multa que estará garantida será a relativa à destruição do freixial. Sobre o carvalho, como está fora da RN2000 e não está protegido a nível municipal, penso que escapará, mas não tenho a certeza, pois tudo depende da questão do domínio hídrico. Espero também que a acção de fiscalização tenha impedido a continuação do arboricídio.
Se assistirem a situações como esta na região de Sicó avisem-me sff, de forma a indagar sobre a legalidade das mesmas. E caso sejam ilegais, eu trato de agilizar a questão da coima...


Mas pegando no título, sempre ouvi dizer que a espécie humana era a mais inteligente, contudo discordo frontalmente dessa afirmação, já que somos a espécie que faz mais disparates neste belo planeta. Além do mais, de nada vale ser inteligente se não houver a sabedoria para utilizar a inteligência de cada um de nós e da espécie enquanto um todo.
Apesar de já ter visto muitos casos como este, a sensação de tristeza é sempre igual. Um, dois ou três séculos são muitos anos de vida. E é pena que as nossas autarquias ou juntas de freguesia menosprezem a protecção e classificação destes espécimes centenários. Mas não pensem que a culpa é só das autarquias, juntas de freguesia e dos respectivos autarcas, já que estes costumam ser o reflexo de quem os elege. Resta saber se cada um de nós se conforma com este triste cenário ou se cada um de nós faz questão em pugnar por um planeta com saúde suficiente para albergar todos aqueles que por aqui andam. E isto mesmo sabendo que isso pode significar chatices de vez em quando.
Da minha experiência posso-vos garantir que as chatices têm valido a pena, pois o que está em jogo é demasiado importante para ficar no meu cantinho, a fingir que não é nada comigo...


segunda-feira, 10 de abril de 2017

O pior inimigo do património dá pelo nome de iliteracia ambiental


É, no meu entender, a questão mais sensível e complexa quando se trata de abordar a questão do património. É, portanto, algo que importa debater neste espaço, onde miúdos e graúdos costumam investir uns minutos a ler estas linhas.
Nos muitos anos que levo de activismo ambiental já vi muita coisa, sendo que hoje utilizo esta situação para falar dos porquês de alguns dos disparates que se vêem pela região de Sicó. Trata-se de um caso ocorrido perto da nascente do Olho do Tordo, em Alvaiázere, mas já na freguesia de Pelmá. Desloquei-me ao local, após ter ouvido em conversa que ali se havia passado algo. Ao chegar lá fiquei perplexo com o que vi, já que não fazia sentido algum. Umas quantas azinheiras partidas por uma máquina, a qual fez uma valeta num local onde não faz sentido algum a fazer.
Como costume fiz o trabalho de casa e tratei de investigar o caso. Poucas horas depois informei a Câmara Municipal de Alvaiázere sobre o sucedido, pedindo a esta entidade que indagasse sobre o caso. Poucos dias depois fiquei a saber que alegadamente tinha sido a Junta de Freguesia de Pelmá a fazer este disparate. Fui informado que o autarca respectivo alegadamente não saberia que isto não se poderia fazer, facto que estranho bastante, ainda mais sabendo o historial da bela azinheira pelos lados de Alvaiázere.
Mas isto leva-nos a algo de importante, ou seja a incipiente literacia ambiental neste território e noutros mais, facto que nos deveria deixar a todos preocupados. Não é admissível que em pleno século XXI ainda subsista tamanha iliteracia ambiental, especialmente por parte de autarcas, os quais têm a obrigação de saber os mínimos nesta temática. É por isto mesmo que há muitos anos defendo publicamente que os autarcas deveriam ter noções básicas sobre ordenamento do território e afins.
E, antes que alguém venha com a conversa do costume, não, ao falar de iliteracia ambiental eu não estou a afirmar que há pessoas menos inteligentes, mas sim a afirmar que há pessoas com responsabilidades que não sabem o que deveriam saber. Se é certo que é pouco provável que estes possam saber tudo o que é necessário, é certo que estes têm de estar munidos das ferramentas básicas que os ajudem a desenvolver as suas acções enquanto autarcas. 
Esta é a minha luta, pugnar pela literacia ambiental e cívica. Foi, é e será uma luta difícil, contudo posso-vos garantir que vale mesmo a pena. Todos ficam a ganhar com a literacia ambiental e ninguém perde com isso!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Um patrocínio que deu em polémica! E não é para menos...


Fonte: Trail running Pombal

Há uns dias deparei-me nas redes sociais com um debate algo acesso sobre uma questão bastante pertinente. Tratava-se de um debate que lidava com uma questão muito importante, que me leva agora a dar mais visibilidade.
Faço-o por vários motivos, seja em primeiro lugar porque se trata de uma questão que mexe com o património de Sicó e que eu acompanho activamente há muitos anos, com um tema tabú, com um patrocínio que importa debater sem complexos e finalmente com a questão da posição da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (e não com os bombeiros propriamente ditos).
Mas comecemos pelo início. Pelo terceiro ano vai-se realizar uma prova solidária de trail, em voga nos últimos anos, na Serra de Sicó. As verbas vão reverter inteiramente para os bombeiros voluntários de Pombal, facto a aplaudir. Até aqui tudo bem, contudo eis que surge o patrocínio da empresa que explora talvez a pedreira mais polémica da região de Sicó. E é aqui que a polémica começa, pois surge uma questão ética, à qual a direcção da AHBVP não pode fugir. Ao aceitar este patrocínio aquela direcção está, na prática, a pactuar com o brutal impacto da exploração e questões associadas de uma pedreira muito polémica.
E não, não se trata de maldizer sobre os bombeiros ou mesmo sobre a direcção da AHBVP, como dois ou  três insinuam de forma demagógica e populista, mas sim sobre uma questão ética. Isto facilmente seria resolvido caso a AHBVP agradecesse o patrocínio da Iberobrita, mas declinasse o mesmo, argumentando que isso poderia afectar a imagem dos bombeiros. É algo que me parece simples de entender, contudo há sempre pessoas prodigiosas, que surgem com o populismo e demagogia do costume. Em vez de ouvirem argumentos como os que atrás referi, insurgem-se contra os mesmos, numa espécie de democracia ajustada ao gosto de suas excelências. Os Bombeiros Voluntários de Pombal são, imagine-se, meros espectadores nesta questão, sendo que o problema está ao nível de uma decisão tomada e assumida pela direcção da AHBVP.
Mas antes de prosseguir, faço questão de utilizar uma analogia para que aqueles que não compreendem o que está em causa. Se vocês tivessem interesse em participar num evento, seja ele qual for, patrocinado por uma empresa que destruisse as florestas tropicais, participariam à mesma no evento? Muitos claramente que não, já que está em causa uma questão ética, a de não pactuar com a destruição de algo muito importante, caso das florestas tropicais. E isto tem acontecido por todo o mundo, havendo cada vez mais uma recusa na compra de produtos associados à destruição da floresta ou afins. Ou então um caso bem conhecido, lembram-se do filme "diamantes de sangue"? A lógica não é comparável, obviamente, mas para fazer uma analogia dá bem.
Continuando, nunca participei nesta prova por uma questão de ética e de princípios. Quem, como eu, trabalha em prol do património da região de Sicó não pode pactuar com uma prova que tem um patrocínio tão polémico. E não, não estou contra os bombeiros, estou apenas contra a exploração daquela pedreira e todas as ilegalidades que têm sido tornadas públicas. Já pensaram que podem ir directamente à secretaria dos BVP e deixar o vosso donativo? Há pessoas que parece que não sabem que isto é possível...
Há que separar as coisas e pena é que haja quem não tenha o melhor discernimento e siga na linha da demagogia barata e populismo populista, passe o pleonasmo. Curiosamente, ou não, até sou bombeiro voluntário, portanto é escusado alguém referir que é uma posição que é contra os bombeiros. Não falo enquanto bombeiro, até porque além de não o poder fazer não tenho qualquer interesse em o fazer. Posso apenas referir que sou bombeiro e isso diz muito no que se refere ao debate da questão. Falo sim enquanto cidadão e activista do património da região de Sicó.
Indo então ao debate que vi numa das redes sociais mais pujantes, e pegando no que disse atrás, vi muita coisa absurda. Uma delas foi o comentário absurdo de um indivíduo, sobre uma pessoa que argumentava da mesma forma como eu, já que este indivíduo afirmava que a pessoa referida se tinha "empenhado em mal dizer de pessoas e organizações que são um exemplo no cumprimento das suas obrigações". É algo que mostra bem a falta de discernimento e muita demagogia à mistura.
Depois continuou o pessoal do "Trail Running Pombal", ao referir que se estava a "misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho em questões que não são da nossa competência nem responsabilidade". Nada mais absurdo e demagogo meus caros, pois ninguém está a misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho. Está-se sim a debater uma questão sem complexos nem tabús e a pôr em causa uma decisão de uma direcção de uma associação. Sobre a questão da competência e responsabilidade, basta apenas referir que vivemos em democracia e todos estão sujeitos ao escrutínio. Há questões que não são para ser debatidas publicamente, como é óbvio, mas há outras questões, como é este o caso, que são para debater publicamente, já que diz respeito a todos nós. Ética e princípios são valores basilares, contudo, e para dois ou três, mais parece que em certos casos se pode fazer uma pausa ou abrir uma excepção.
As direcções das Associações Humanitárias não são imunes ao escrutínio nem à crítica, sempre que se justifique. Trata-se de uma questão ética e parece que é isso que o pessoal do Trail Running Pombal e o presidente da AHBVP não alcançam. Ao debatermos esta questão, estamos a enriquecer um debate necessário, o qual não coloca em causa a AHBVP.
Já o que afecta de algum modo a imagem da AHBVP é, na minha opinião, a aceitação deste patrocínio, na medida que colide com a imagem da Associação (defesa de pessoas, bens e do património...), e, por outro lado a postura arrogante e, diga-se, pouco educada do seu presidente. Mas nada como mostrar quem disse o quê, de forma a que cada um faça um juízo de valores... 


E se pensam que isto é algo sem importância, pensem melhor, pois é isso que falta, reflexão e discernimento. E nada de tabús e estereótipos... Se houvesse quem ali estivesse a maldizer dos bombeiros, rapidamente levaria uma resposta incisiva da minha parte, contudo não foi isso que aconteceu.
Quanto ao Sr. Sérgio Gomes, não confunda o mérito de ser presidente da AHBVP com a competência para o ser. É o que digo aos meus camaradas bombeiros, uma coisa é o mérito de ser bombeiro outra coisa é a competência na acção. Só funciona bem se ambos andarem lado a lado...
Para terminar, e respondendo ao Sr. Sérgio Gomes, que por um lado disse que não queria saber quem eu sou, mas por outro me perguntou quem era eu para lhe falar de ética, respondo apenas que sou o João Forte.