segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Seminário MosaicoLab, uma semente do CREATUR


Decorrente de um muito interessante projecto que está a ser desenvolvido por várias universidades, de Norte a Sul do país, o CREATUR, eis que surge na região de Sicó uma das sementes deste projecto de turismo criativo, o MosaicoLab. Coincidência ou não, e ainda sem saber deste projecto (MosaicoLab), há poucas semanas estive reunido com elementos deste projecto e confesso que foi bastante interessante conversar com estes investigadores num gabinete de uma das universidades envolvidas neste projecto, ficando eles a saber de um outro projecto idealizado e desenvolvido na região de Sicó por sicoenses.
Neste mesmo projecto, o MosaicoLab, várias actividades estão previstas, portanto nada como começar a publicitar uma particularmente interessante, um workshop sobre mosaicos, ou seja toca a analisar a informação que consta no link em causa e divulgar, sendo que as inscrições são limitadas. Inscrevam-se e/ou divulguem esta acção patrimonial, pois o património e Sicó agradecem.
Importa também referir o seminário e as visitas guiadas temáticas programadas para as Jornadas Europeias do Património, que irão decorrer no próximo fim-de-semana.
São, portanto, mais uns quantos bons motivos para visitar a região de Sicó, aprender sobre o património e ficar mais consciente do imenso património e cultura que esta região tem para nos surpreender!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Acudam aos muros de pedra da região de Sicó!!




Antes de mais desculpem a fraca qualidade das imagens, fruto de um problema técnico decorrente do computador a partir do qual captei as imagens que aqui apresento, através do facebook de um elemento do executivo da Junta de Freguesia do Alvorge, Ansião (Carlos Anastácio).
Logo que vi estas imagens, que ilustravam o alargamento de caminhos florestais, delimitados pelos belos e característicos muros do carso de Sicó, fiquei preocupado, já que a esmagadora maioria das vezes isso significa que os muros vão ser arrasados e não são reconstruídos segundo a tipologia tradicional, algo que é grave em termos de identidade local e em termos de degradação da paisagem cultural de Sicó. Questionei sobre o facto se os muros seriam refeitos, tendo-me sido respondido que não, já que apesar de isso até ter estado previsto, mas que o dono tinha voltado atrás da decisão de recuperar os muros.
Não condeno o proprietário, já que a sensibilização é inexistente, tal como regras que visem a preservação destes fundamentais elementos da paisagem cultural de Sicó. Condeno sim e lamento profundamente a falta de regras que salvaguardem este tipo de património construído, as quais poderiam estar devidamente transpostas em sede de Plano Director Municipal e noutros planos relacionados. Falta a sensibilização a todos os níveis. Nunca houve um real interesse em desenvolver esta questão, contudo os nossos autarcas continuam a defender a necessidade de proteger o património, pelo menos quando falam para os jornais, rádio ou televisão. São, portanto inconsequentes. Falo, claro, ao nível das Câmaras Municipais, já que as Juntas de Freguesia pouco podem fazer neste domínio, seja pela falta de técnicos, seja pelos orçamentos respectivos. 
Urge alterar o paradigma, a bem da paisagem cultural da região de Sicó. Caso não o façamos, daqui a poucos anos imagens belas como esta farão parte do passado, algo que lamento profundamente...
Peço-vos, portanto, que partilhem este humilde comentário, de forma a que a mudança comece agora e em força!







sábado, 9 de setembro de 2017

Resumindo, é isto!


Todos os anos costumo publicitar as Jornadas Europeias do Património e este ano não é excepção. A diferença é que este ano participo activamente nas mesmas, através de uma pequena exposição de registos fotográficos associados a alguns dos elementos representativos da geodiversidade que podem  observar pelos lados de Alvaiázere. Trata-se, portanto, de uma exposição fotográfica de cariz científico, com um objectivo declaradamente pedagógico. Espero que este extra vos motive a ir a Alvaiázere e a passar um dia diferente, a desfrutar o património local e a conviver com aqueles que pugnam pelo património natural e cultural de Alvaiázere.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O que é bom é para se partilhar!


A diferença entre o sucesso e o insucesso nas políticas de desenvolvimento territorial tem a ver em boa parte com a competência ou incompetência das pessoas que estão à frente dos organismos ou associações que operam às várias escalas. Neste caso refiro-me à escala local e, concretamente, a Alvaiázere. Nos últimos tempos as coisas mudaram para melhor, fruto do fim da "idade das trevas" e dos velhos do Restelo e da era dos ressabiados mimados. O paradigma mudou e outros "actores" entraram em cena, facto que teve reflexos positivos.
Uma das pessoas que entrou em cena, com uma postura e competência a destacar, foi o, agora, Presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado do Concelho de Alvaiázere, Bruno Furtado de Sousa, que trouxe consigo algo que faltava em Alvaiázere há muitos anos, sabedoria, criatividade e humildade. Ao contrário de outros, que não sabem ouvir os outros nem mesmo trocar ideias de forma honesta e produtiva, é alguém que tem capacidade de encaixe, que não embirra com aqueles que têm ideias diferentes e que respeita, não tentando tramar a vida pessoal e profissional de quem discorda de si. Não sendo o único responsável pela realização do evento que destaco neste comentário, é alguém que considero determinante para a realização do mesmo, dada a sua postura e vontade de fazer mais.
O bootcamp de empreendorismo não é o início de algo, é sim a continuação de um processo que já teve início há algum tempo e foi devidamente planeado. 
Já estive presente numa outra actividade promovida pelos mesmos actores de desenvolvimento territorial e posso dizer que foi algo de excepcional.
Esta iniciativa tem um potencial mobilizador importante em termos de dinamização territorial e económica, daí a importância de o referir e de o ajudar a publicitar. Não tenho a mínima dúvida dos efeitos positivos que esta linha de actuação, presentemente em desenvolvimento em Alvaiázere, terá a nível concelhio e a nível regional, a seu tempo. Sim, porque cada concelho só estará melhor se os seus vizinhos também estiverem, pormenor que tem escapado a muita gente, defensora das políticas das capelinhas.
Para o/as interessado/as, fica o programa:

"16 Setembro
09h30 // Sessão de Abertura
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
Vanessa Batista, Territórios Criativos
10h00 // Inspirational Talk (sessão aberta ao público)
Isabel Neves, empresária e reconhecida investidora (Shark Tank Portugal)
11h30 // Coffee Break
12h00 // Perfect Pitch
Vanessa Batista, Territórios Criativos
13h00 // Almoço Livre
14h30 // Teamwork
16h00 // Speed Mentoring

17 Setembro
10h00 // Empreendedorismo e o Potencial da Região Centro (sessão aberta ao público) Gonçalo Gomes, Turismo do Centro
João Coroado, Instituto Politécnico de Tomar
Luís Matos Martins, Territórios Criativos
Rui Pedrosa, Instituto Politécnico de Leiria
Moderação – Mário Pinto, Diário de Leiria
11h30 // Coffee Break
11h45 // Pitch your Idea
13h00 // Sessão de Encerramento
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
13h15 // Network & Lunch"
Fonte: Alvaiázere +
Parabéns a todos os organizadores deste evento, Sicó fica-vos agradecida!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Dar vida ao património!


Tendo em conta que a iniciativa "Dar vida aos coretos" também passa pela região de Sicó, concretamente por Alvaiázere, que tem um belo coreto, importa ajudar a divulgar esta iniciativa que tanto valoriza os nossos belos coretos. Agora não há desculpa para não ir a este evento!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Árvores monumentais: proteger e classificar!


Na região de Sicó ainda existem muitos exemplares daquilo a que se pode chamar como árvores monumentais. A da foto é uma bela oliveira situada pelos lados de Alvaiázere, mas poderia ser em qualquer parte da região de Sicó.
Infelizmente os municípios não têm apostado na preservação e na classificação destes belos exemplares do arvoredo da região de Sicó. São importantes a vários níveis, desde a botânica ao turismo. São raríssimos os exemplares que estão devidamente catalogados e classificados nos respectivos Planos Directores Municipais, algo de incompreensível. Das vezes que tentei sensibilizar para a classificação de alguns exemplares, a reacção foi de desinteresse, sendo que vi que essa possível classificação era encarada como um possível estorvo...
Em tempo de eleições muitos fazem-se de amigos da Natureza, contudo não são consequentes e rapidamente esquecem as suas próprias palavras. Das raras ocasiões onde surgem na notícia é apenas para aparecer na foto, com uma enchada na mão, a plantar uma árvore num qualquer jardim, de fato e gravata...
E nós, o que podemos fazer para reverter este esquecimento deste imenso património? Exigir a sua valorização e a sua protecção! Podemos inclusivamente pedir a classificação de exemplares monumentais, algo que não é difícil de se fazer. Havendo vontade e um bocadito de tempo faz-se! E se precisarem de ajuda, pode ser que se arranje.
Porque as árvores são dos mais belos monumentos naturais, há que pugnar pela protecção dos mesmos. Cada árvore que nasce é mais uma homenagem a este belo planeta em que vivemos. Plantar espécies autóctones deveria ser um acto natural por parte de cada um de nós. Carvalhos, azinheiras, sobreiros, loureiros, nogueiras, castanheiros, freixos e muitos outros mais podem ocupar o seu espaço, seja em terrenos desflorestados, seja em terrenos ocupados pela praga dos eucaliptos.
A árvore é um berço da vida!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha...



É uma reflexão comum por parte de muitos de nós, contudo apenas de forma superficial. É daquelas coisas que pensamos, mas rapidamente deixamos de lado, quiçá por pensarmos que são supérfluas. E isto mesmo que seja algo de realmente importante... Urge uma reflexão profunda sobre o que afinal queremos e precisamos, de facto, para as nossas vilas da região de Sicó e também para a cidade de Pombal.
Da última vez que estive em Pombal, em Julho, fui até ao castelo desfrutar um bocado do património. Depois chegou a hora de ir até à estação de comboio. Fui a pé, naturalmente, fazendo quase como que um transecto pela cidade, por ruas esquecidas e pouco percorridas, fazendo o respectivo registo fotográfico.
O que vi é sintomático, um centro degradado, esquecido e por potenciar. A política do betão que Narciso Mota desenvolveu durante demasiados anos teve o resultado esperado, ou seja a degradação do centro urbano e o crescimento desenfreado da periferia, numa (i)lógica nada saudável.
O que se vê por aqui não é bonito e as perspectivas não são as melhores, já que o paradigma teima em subsistir. A culpa? Não, não é dos autarcas, é sim, e em primeiro lugar de quem os elege, ou seja nós. Continuamos a insistir em delegar o nosso futuro nas mãos de uma classe claramente não preparada e não competente. Achamos normal ter de tirar um curso para exercer uma profissão (ex. médico), mas anormal ter uma formação mínima no domínio da governação. E depois ficamos indignados com a falta de competência no âmbito autárquico...
É uma pena que tantos centros urbanos estejam no estado deste. Muito potencial, arquitectura vernacular e muito mais por recuperar. Há que promover políticas que possibilitem o revitalizar dos centros urbanos. É fundamental voltar a fazer "correr sangue" nestas artérias, favorecendo o regresso das pessoas que dão vida às vilas e cidades. E isto sem favorecer o uso do automóvel. A parte mais antiga de Pombal é plana, portanto tremendamente favorável para os modos suaves e para os peões. Todos ficamos a ganhar!
E lembrem-se que este ano é ano de autárquicas, portanto é fundamental questionarem todo/as o/as candidato/as aos órgãos autárquicos, de modo a se inteirarem sobre as suas posições. Chama-se a isso cidadania activa! Há que ser interventivo, sem receio dos rótulos da praxe (ser considerado do contra...), pois um cidadão com medo é um cidadão domado pelos interesses...



domingo, 13 de agosto de 2017

Vandalismo nas Buracas do Casmilo: um apelo à mobilização!




As Buracas do Casmilo são uma referência internacional. Durante demasiado tempo foram um geossítio desconhecido, mas nos últimos anos ganharam o merecido destaque regional, nacional e internacional, graças a alguns investigadores que tiveram o mérito de reconhecer e estudar a jóia que ali encontraram.
Há pouco tempo a própria Câmara Municipal de Condeixa incluiu este geossítio no cartaz turístico da Feira de Turismo de Lisboa. Aparece também referenciado no programa escolar do Ministério da Educação. Mas não só...
Infelizmente o vandalismo que ali ocorre não tem parado e pouco ou nada tem sido feito para mitigar o grave problema que coloca em risco este património de valor inestimável. Há uns dias uma senhora natural da aldeia do Casmilo, entrou em contacto comigo, de forma a dar conhecimento desta situação, facultando-me inclusivamente as fotografias que ilustram este comentário. Como já não vou lá há uns meses, foi bom ter conhecimento de como as coisas estão por lá, já que assim consigo monitorizar de alguma forma a questão. Como eu sei que falando aqui desta situação pode ajudar a resolver este problema, faço então um apelo à Câmara Municipal de Condeixa que tome medidas concretas e objectivas para resolver de vez o problema do vandalismo no Vale das Buracas. Mas não só, locais e Universidade de Coimbra devem também mobilizar-se na defesa deste local icónico. E a imprensa regional também pode ajudar, dando destaque ao caso. Fica o desafio Jornal Terras de Sicó!
Isto pode e deve passar por várias acções. Desde a vigilância dos locais (telefonem à polícia caso vejam vandalismo) até à elaboração de um plano de gestão para este geossítio, muito se pode fazer para, na prática, salvaguardar este património que é de todos. Todos ficaremos a ganhar se o fizermos e todos ficaremos a perder se este património se perder!
E se for preciso a minha ajuda, cá estarei para, na medida das minhas disponibilidades ajudar à resolução do grave problema. A região de Sicó não se pode dar ao luxo de perder mais uma das muitas jóias da sua coroa!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Batota no orçamento participativo?


Confesso que não esperava tal coisa, contudo parece que aconteceu. Os orçamentos participativos (OP) são recentes em Portugal e ainda mais recentes na região de Sicó, facto que leva ao inevitável chico-espertismo de alguns, aliás típico em processos deste género e durante os primeiros anos dos mesmos. Há uns dias vi uma mensagem, num grupo do facebook do Avelar, de um apoiante de um dos projectos do OP, indignado sobre algo que se passou. Supostamente a urna de votação foi violada para contabilização dos votos, algo muito de estranho num processo destes. Ao contrário do que dava a entender, esta acção alegadamente não terá ocorrido apenas no Avelar, mas sim noutros locais com urnas, já que havia duas formas de votar, online ou presencialmente.
Julgo que isto terá a ver com o facto de, alegadamente, terem sido detectados boletins de voto fora do edifício onde estava sediada a urna do Avelar. A ser verdade trata-se de batota. Por mais valor que tenha um projecto, ele de nada vale se ganha através de batota. É normal querermos ganhar, contudo não é aceitável fazer batota.
Mas o caso não fica por aqui, já que apesar dos resultados só estarem anunciados para o dia 11 de Agosto, a 5 de Agosto já eu tinha visto uma ficha com os resultados em dois grupos do facebook. Mas há mais, já que já em Julho tinha ouvido uma pessoa, apoiante de um outro projecto, a afirmar que sabia como estava a decorrer a votação online. Isto significa que, alegadamente, sabia de algo que não era suposto alguém saber. E, sabendo regularmente o número de votos dos outros projectos, que naquela altura eram alegadamente desfavoráveis ao seu, dava para fazer um jogo pouco transparente em termos éticos. Não era suposto isto acontecer num processo que se pretende tanto transparente, como digno de uma verdadeira democracia participativa.
Ou seja, esta votação está, na minha opinião, enviezada e a duas frentes e, por isso, ferida de morte. A bem da transparência e da democracia participativa urge anular os resultados e repetir a votação, de modo a legitimar todo este processo. Neste momento, e tendo por base o que alegadamente sucedeu, o processo está completamente descredibilizado.
Um orçamento participativo não é compatível com batotas nem com compadrios, já que se assim for é outra coisa que não um OP. E não, não é fechando os olhos a este tipo de situações que nos tornamos um país e uma região valorosa, muito pelo contrário... E sim, ter acontecido o que aconteceu é grave!
Polémicas à parte, parece-me que este OP seguiu um caminho que desvirtua claramente um processo destes. O projecto que ganhou não deveria sequer participar neste OP, já que a verba para a compra deste importante equipamento deveria estar naturalmente consignada no respectivo orçamento anual da protecção civil municipal. Os OP não podem servir para "tapar buracos" como poderá vir a ser este o caso...

sábado, 5 de agosto de 2017

Uma noite do outro mundo!



"A 11ª Noite dos Morcegos de Pombal (21ª Noite Internacional dos Morcegos) realiza-se no dia 26 de Agosto no Vale do Poio Novo (Poios, Redinha).
Aproveita a oportunidade para conhecer um pouco os morcegos de Sicó e um dos locais mais emblemáticos do concelho de Pombal.
Vai ser necessário percorrer um trajecto a pé (30 a 40 minutos de duração para cada lado), cujo percurso não é adequado a pessoas com dificuldades de locomoção. Os participantes devem levar calçado de campo, merenda e água.
No passeio pedestre estarão presentes especialistas na identificação acústica de morcegos, munidos de equipamentos que permitem a sua audição e identificação enquanto voam.
Informações e inscrições através do email gps.sico@gmail.com
Data:
26 de Agosto 2017
Horários:
– 18h00: concentração e palestra na Quinta de São João (Poios – Redinha)
Inscrições:
– pelo email gps.sico@gmail.com até às 18h do dia 23 de Agosto;
– seguro e logística: 5 espeleos
– só serão admitidas crianças se acompanhadas por adulto.
Será disponibilizada iluminação aos participantes.
Organização:
Grupo Protecção Sicó

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Topónimos invasores...


Penso que ainda não tinha detectado este pormenor, pois caso tivesse já teria concerteza abordado esta questão. Passando em Pousaflores, há uma rua que tem um topónimo que me parece absurdo. Trata-se da rua das mimosas.
Na primeira imagem vê-se a Serra da Portela ao fundo, e nesta rua, mais abaixo, situa-se o lugar de Pousaflores. É ali que se vê a placa com o nome/topónimo desta rua. Não compreendo minimamente o nome dado a esta rua. Passando do pressuposto que "mimosas" se refere aquela espécie invasora, é um absurdo ter-se optado por aquele nome/topónimo. Sendo Pousaflores um lugar com tanta história, torna-se realmente incompreensível a escolha deste nome para aquela rua. 
Descendo a rua, até Pousaflores, e olhando para os dois lados, o que se vê mais são carvalhos. Fica a a sugestão para a correcção do nome da rua...
A preservação da identidade também passa pelo legado de topónimos com sentido e com história, lembremo-nos desse pequeno grande pormenor.


domingo, 23 de julho de 2017

20 000 euros de multa não chegam para aprender? Então vamos a mais uma ronda...


Há coisa de 1 ano denunciei uma plantação ilegal de eucaliptos, na Ribeira de Alcalamouque, Ansião, tendo sido apenas mais uma das várias que tenho vindo a denunciar ao longo dos últimos anos. Uns meses mais tarde ouvi dizer que o prevaricador alegadamente terá tido de pagar uma coima de 20 000 euros. Fiquei satisfeito, contudo apenas parcialmente, já que a situação original não foi reposta, tal como a lei obriga.
Eis que quase 1 ano depois o prevaricador volta à carta e faz mais um acrescento à plantação ilegal de eucaliptos. Ou seja, fez nova intervenção numa área adjacente à já intervencionada. Se compararem com a foto de há 1 ano, consegue-se ver que o sector central (no pequeno vale, ao centro) foi agora intervencionado. O prevaricador não pode alegar desconhecimento, tratando-se, na minha opinião, de uma atitude que demonstra má fé e um total desprezo pela lei.
De modo a premiar esta atitude, informo o prevaricador que brevemente receberá no conforto da sua casa uma carta com um prémio especial. Estou curioso saber de quanto será o prémio, especialmente sabendo que este prevaricador é reincidente. Espero sinceramente que o prémio seja maior desta vez, já que quando não se aprende a bem, aprende-se a muito bem!
E para os poucos que vão discordar com esta minha acção de denúncia, lembram-se de Pedrógão? Ilegalidades como esta contribuem decisivamente para a catástrofe...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A falta de água deve-se a uma péssima gestão dos recursos aquíferos...


O que inicialmente era uma excepção, tornou-se infelizmente uma regra. Mais uma vez Ansião ficou sem água, desta vez resultado dos efeitos secundários (cinzas) do incêndio ocorrido em redor da actual captação de água para o concelho de Ansião. Outras vezes acontece porque o S. Pedro está de férias. 
Quando chega à hora de justificar a falta de água, nunca surge a questão de fundo, ou seja os porquês da falta de alternativas que ajudem a mitigar este problema. Finge-se que não há um problema de fundo e chuta-se a coisa para a frente, já que é um tema particularmente sensível.
Quando eu sou incisivo na defesa dos recursos aquíferos da região de Sicó, e à falta de argumentos para rebater os factos comprometedores, há quem fale em fundamentalismos, tal o desnorte por parte de quem além de revelar evidentes sinais de iliteracia ambiental, tenta confrontar um especialista na matéria sem , contudo, apresentar qualquer tipo de argumento. Resta-lhes apenas a demagogia e o populismo, os quais só têm sucesso em sociedades pouco informadas.
Falta a responsabilização dos autarcas que além de não estarem a contribuir para arranjar uma solução, estão, na prática, a agravar o problema.
Estas duas fotografias são da antiga captação dos Olhos de Água, em Ansião. Até há uns anos, foi daqui que saiu muita da água que se consumia em Ansião. Já tive a felicidade de andar pelas galerias da nascente dos Olhos de Água e ajudar mergulhadores que exploraram parte deste aquífero. Sim, há água por debaixo dos nossos pés, mas infelizmente não temos cuidado dela. Há pouca ou nenhuma informação e pouca sensibilização por parte das entidades públicas sobre esta temática, daí eu regularmente abordar esta questão, facultando informação a quem faz do azinheiragate uma companhia regular.
Não tem sido dada a necessária atenção aos recursos aquíferos desta região cársica. Não têm sido tomadas medidas que, na prática, salvaguardem a qualidade dos recursos aquíferos, daí que hoje em dia seja um risco beber água destes aquíferos. Caso os recursos aquíferos tivessem sido salvaguardados, facilmente se teria uma reserva estratégica de água disponível sempre que houvesse problemas na captação da Ribeira de Alge. É isto que as pessoas precisam de saber, mais ainda em ano de eleições, já que mais do que nunca é agora que podemos e devemos interpelar os actuais candidatos às câmaras e juntas de freguesia.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...


segunda-feira, 10 de julho de 2017

É muito importante debater esta questão, percebam porquê...


Depois de saber que está a decorrer um processo que pode envolver a regularização/legalização da actividade de exploração de inertes na freguesia de Almoster, Alvaiázere, decidi que seria importante debater esta questão. Faço-o por vários motivos, em primeiro lugar porque é uma questão que deve ser debatida publicamente. A população deve ser envolvida neste debate e saber toda a informação possível, de modo a poder dar o seu contributo e decidir (sim, a população tem poder de decisão). Em segundo lugar estou saturado de ouvir o  pseudo argumento do costume por parte de empresas do ramo em causa. Acenam com os postos de trabalho sem, contudo, dizer o que é importante todos saberem. 
Trata-se de um projecto que envolve a exploração de saibro e areia, numa área de oito hectares (oito campos de futebol...). Trata-se, portanto, de um grande impacto ambiental/paisagístico naquela freguesia e de postos de trabalho que nada acrescentam aquele território. Não se tratam de postos de trabalho que acrescentem valor ao território e que retirem dali as mais valias do mesmo. Retiram sim valor ao território e é isso que as pessoas precisam de saber, para depois, e em consciência, decidir. Resta saber o que a população prefere ter, empregos estáveis e duradouros, que valorizem o território ou empregos a prazo que degradem o território.
Não me espanta este projecto, ainda mais sabendo que o PDM está em revisão e uma das hipóteses em cima da mesa é tornar esta área de REN uma área sem condicionantes à exploração de inertes, facto que não é ordenamento do território mas sim uma mera desclassificação de uma área com mais valias ambientais para uma área de exploração de inertes, com o inerente passivo ambiental.
Depois de ler alguma documentação, fiquei algo surpreendido com o facto de se estar a utilizar este projecto como que um "seguro" para uma outra exploração (pedreira). É algo que me preocupa seriamente, pois um projecto que utiliza este argumento demonstra uma fragilidade importante. Já não fiquei surpreendido em ler a argumentação da empresa em causa, populada por demagogia e populismo. E quanto ao texto do documento em causa, nem se fala, pois utiliza nuns parágrafos o "acordo" ortográfico e noutros não o utiliza (e bem). Há também erros ortográficos de realce, como o "impato".
Voltando à questão, a empresa em causa utiliza uma argumentação onde refere os impactos positivos da exploração, sem dizer objectivamente quais são e como são, omitindo contudo os impactos negativos, talvez pelo facto de não ser conveniente em termos de imagem para a população. Em vez de se centrar neste projecto, está continuamente a referir a sua outra exploração, abordando o cumprimento de normativos de segurança e saúde no que respeita aos colaboradores, mas esquecendo aqueles que vivem em redor desta exploração.
O documento que li tem muito daquilo a que denominamos como "palha". Quando seria por exemplo de esperar que se falasse numa suposta obtenção de declaração de interesse público, surge apenas "consequências da não obtenção de declaração de interesse público". Em vez de se falar nos impactos ambientais da exploração, tal como é suposto, fala-se nos custos sociais e económicos da não exploração da "pedreira". É, portanto, uma narrativa parcial, algo que deve ser devidamente apontado. Se há formas de criar empregos duradouros e que não impliquem a destruição e degradação de partes do território, porque devemos nós aceitar esta demagogia de uma empresa num documento que deveria ser imparcial? Porque é que tem de ser o interesse de uma empresa a impor-se ao interesse público? Deverá esta exploração ser reconhecida como do interesse público, sem que exista debate público? Porque não há debate sobre este suposto interesse público?
E que tal promover-se um debate público, sem estereótipos e populismos sobre este projecto? Em democracia é natural que isso aconteça. E porque é que a Junta de Freguesia de Almoster não promove um debate, já que o projecto é relativo à sua freguesia? É certo que o actual presidente da junta de freguesia não é o mais competente para se envolver em questões ambientais, mas mesmo assim tem essa obrigação. 
Há uns dias introduzi a questão num grupo do facebook de Almoster. Inicialmente a reacção de uma ou duas pessoas foi de apoio ao projecto, contudo, e depois de eu desenvolver a questão, as reacções foram diferentes. As pessoas começaram a estranhar não saberem nada de concreto sobre o projecto e não saberem nada sobre a dimensão do mesmo ou das consequências e impactos ambientais. (não conheço nenhum estudo de impacto ou incidências ambientais, tal como seria de esperar...). Começaram a fazer perguntas, algo que será sem dúvida incómodo para a empresa em causa, mas que é de salutar em termos de cidadania activa e uma democracia que se pretende sã.
Ou seja, eu dei o tiro de partida, esperando agora que o debate prossiga...

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Devolver o espaço às pessoas ou aos carros? Fiquei confuso...



Foi há 6 meses que abordei aqui uma questão que teve um impacto colossal em termos de visualizações no azinheiragate (14 000 em 4 dias...) e que mexeu com a identidade de Chão de Couce. No último fim-de-semana voltei ao local, de modo a efectuar novo registo fotográfico.
Foi há 6 meses que a Câmara Municipal de Ansião referiu que (1) aquele local estava a ser alvo de intervenções que pretendiam devolver o espaço às pessoas e à sua mobilidade, que (2) acrescentava modernidade e urbanidade, e que (3) o freixo ali situado não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, bem como constituía um perigo para a circulação naquela zona.
Rapidamente concluí, com a ajuda de um botânico, que a árvore em causa não estava doente ao ponto de ser cortada, sendo um falso argumento. Não constituía portanto um perigo para a circulação naquela zona. Era, infelizmente, um falso argumento para legitimar o corte da árvore, que claramente estorvava a quem fez e a quem aprovou este projecto.
Quanto à classificação ou protecção da árvore, há que referir que não há propriamente uma cultura de protecção ou classificação das mesmas, mas sim uma cultura do corta corta, típica em Portugal.
Fiquei perplexo com as justificações em causa, ainda mais porque a obra deveria ter sido alvo de discussão pública, tal como acontece em países desenvolvidos. Os argumentos não me convenceram, seja pelo facto de se argumentar, sem fundamentar devidamente, que se devolvia o espaço às pessoas e à sua mobilidade, seja pelo facto, de tal como a obra estava pensada, não acrescentar modernidade e urbanidade desejável, retirando sim identidade ao local. Tudo isto teve os impactos conhecidos na hora de as pessoas manifestarem a sua revolta pelo abate do freixo. Não esperei que tantas pessoas mostrassem o seu descontentamento, nem mesmo de forma tão expressiva. Isso aconteceu porque parte da sua identidade foi obliterada sem apelo nem agrado com esta obra. 
Mas voltando ao início, agora, e após a obra terminada, eis que no lugar do freixo supostamente doente, surge um... estacionamento. Típico...
E antes que surja a reacção do costume, não, não sou contra esta obra, mas sim contra o facto de não ter havido discussão pública, facto que levou a este desfecho. Caso tivesse havido discussão pública o freixo não teria vindo abaixo... Continua a insistir-se na tecla da não discussão pública, da não integração de elementos pré-existentes e da obra tipo chapa 5. E depois falam em identidade e na Marca Ansião como factor de diferenciação...

terça-feira, 27 de junho de 2017

É um erro que importa reconhecer e corrigir...


Não é a primeira vez que abordo esta questão e, caso se mantenha, não será a última vez. Falo, claro, do erro que é juntar o Festival do Chícharo de Alvaiázere com as festas do concelho (FAFIPA), em Junho. O Festival do Chícharo deveria voltar a ser na altura própria, ou seja em Outubro, já depois da colheita desta bela e saborosa leguminosa. Ou seja, não é de todo boa estratégia promover um festival do chícharo antes da sua colheita. A lógica das festas das colheitas é mesmo ser após a colheita do produto em causa, de forma a celebrar o mesmo, nunca antes.
Este retrocesso, em termos de marketing territorial, ocorreu há cerca de uma década, sob a égide do anterior autarca, Paulo Morgado, que, devido a alegados constrangimentos económicos, decidiu que era uma boa opção deixar de realizar o Festival do Chícharo em Outubro. Já houve demasiadas mudanças, as quais afectaram a imagem desde festival. Santa Catarina da Serra, em Leiria, onde se realiza um outro Festival do Chícharo, deve estar muito agradecida com este pára arranca...
Foi uma péssima decisão, em termos de marketing territorial. Não se pode andar a acabar com um festival no mês indicado, mudando-o para outra altura. O factor financeiro não pode desvirtuar um festival deste género e desta importância. O factor financeiro não é sequer decisivo para se organizar um festival deste género, pois com pouco pode-se fazer muito. E em Alvaiázere há que tenha a sabedoria e criatividade para fazer muito com pouco... 
E isto não significa que o chícharo não possa ter o devido destaque nas festas do concelho. Pode e deve  ter algum protagonismo durante a FAFIPA, funcionando como rampa de lançamento para o Festival do Chícharo em Outubro de cada ano. Há, portanto, que repensar esta questão, a bem da identidade local e do marketing territorial. As coisas têm mudado nos últimos tempos, esperando eu que se consolide o que de bom se está a fazer e que não volte a acontecer o mal que já aconteceu.
E falando em marketing territorial, no dia 20 de Junho foi apresentado publicamente um vídeo de grande qualidade sobre Alvaiázere, o qual recomendo vivamente que visionem. É uma bela ferramenta de marketing territorial, a qual vos desafio a partilhar nas redes sociais. Se as entidades públicas forem coerentes e consequentes com o que ali é mostrado e dito, então Alvaiázere terá um futuro bem risonho. É algo pelo qual pugno há 13 anos. O património merece!


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não somos apenas vítimas, somos também, e acima de tudo, cúmplices!


Podia colocar aqui uma daquelas fotos de grande impacto de um incêndio absolutamente destruidor a vários níveis e que ficará na história como o maior atestado da nossa incompetência, inacção e passividade enquanto povo perante um problema que já vai com quase 4 décadas. Mas não coloco, já que não sou apologista disso. Prefiro colocar apenas uma foto feia, com menos impacto e sem chamas à vista, mesmo que isso signifique menos visualizações. Não pode valer tudo, é uma lição que dou especialmente à TVI, mas não só...
Não me vou alongar sobre as causas que, em conjunto, levaram a esta tragédia, já que as causas são sobejamente conhecidas e, diga-se, estou cansado. O que falta então?
Falta atitude de todo um povo, a qual tem possibilitado uma letargia que já vai com quase 4 décadas. A falta de ordenamento do território é, no concreto, a causa de tudo isto. E todos temos culpa no cartório, uns mais do que outros, obviamente. Não é só o político tem culpa. O político é apenas o reflexo de quem os elege. A culpa é também de quem conhece bem esta realidade e teima em não limpar em redor das suas casas. Mas não só. Somos todos culpados morais desta tragédia e isso tem de ser dito com todas as palavras, goste-se ou não.
A melhor homenagem que podemos fazer aos que partiram será promover, de facto, o ordenamento do território, pois essa será, de facto, a única forma estrutural de precaver mais desastres como este. A melhor homenagem que podemos fazer aos que ainda vão resistindo por esta região é promover, de facto, o ordenamento do território. Promover o ordenamento do território é algo de complicado, é um facto, mas também é um facto que não temos feito por isso. Se não metermos mãos à obra tudo isto voltará a acontecer, mais tarde ou mais cedo. Há passividade, há inacção, há incompetência, há interesses e outras coisas mais. Que esta tragédia sirva de uma vez por todas para resolver um grave problema. Resta saber que vamos ter a coragem de o fazer ou se continuaremos a ser uns covardes, tal como temos sido nas últimas décadas.
E que ninguém se tente demitir desta tarefa. Seja em maior ou em menor grau, todos teremos um contributo para dar nesta nossa obrigação, ordenar o território, possibilitando o desenvolvimento territorial de toda uma região e de todo um país. E notem que o problema não acaba quando as câmaras da televisão forem embora. Trata-se de um problema que começou há poucos dias e que se prolongará durante algumas décadas... 

sábado, 17 de junho de 2017

Centro de Arqueologia de Alvaiázere, uma excelente novidade para Sicó!


Imagens: Alexandra Figueiredo

É uma novidade que, infelizmente, não está a ter o devido destaque na imprensa regional. A arqueologia na região de Sicó ganhou uma nova vida, pois foi inaugurado há poucos dias o Centro de Arqueologia de Alvaiázere, projecto do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Alvaiázere. Estão ambos de parabéns por esta ideia ter chegado a bom rumo.
A ideia já poderia ter sido consumada há mais tempo, dada a incompetência do anterior autarca no domínio da temática patrimonial. Há 10 anos eu estava a trabalhar em Alvaiázere numa ideia que além de englobar dois centros de interpretação ambiental (Escola da Geodiversidade e Escola da Biodiversidade/Centro Ciência Viva do Carvalho Cerquinho) englobava um outro espaço, ou seja a reconversão de uma antiga escola primária para um espaço que pudesse receber investigadores de várias áreas. Infelizmente o projecto foi metido na gaveta, mas eis que Alvaiázere ganhou uma vida nova, sem ressabiamentos e vinganças à mistura.
Com esta infra-estrutura todos ficam a ganhar, Alvaiázere e a própria região de Sicó, que agora fica com um espaço de referência para a investigação. É de salientar também a dedicação no domínio da arqueologia da Directora do Museu Municipal de Alvaiázere, Paula Cassiano, que, em conjunto com um pequeno núcleo duro, mantiveram a chama da arqueologia viva em Alvaiázere num tempo onde a arqueologia era um parente pobre na temática do património.
Espero agora por novas descobertas, já que toda esta região tem muito por descobrir!




terça-feira, 13 de junho de 2017

Trail do Chícharo: não fazer o que foi feito...


Foto: José Antunes

À primeira vista pode parecer um mero monte de pedras, contudo é algo de importante e que se deve preservar. Sei que a intenção era boa, contudo a consequência é bastante negativa.
Já por mais que uma vez falei do impacto negativo que provas desportivas podem ter, nomeadamente ao passarem por locais onde não deveriam passar. Isto acontece por manifesta falta de conhecimento, daí eu fazer questão em abordar mais uma situação do género.
Quando tive conhecimento do Trail do Chícharo fiquei contente, já que Alvaiázere e as suas gentes merecem e quem não é de lá merece ser presenteado com uma prova deste género. Conciliar o desporto com paisagens fantásticas é algo de inesquecível. E a Serra de Alvaiázere, mesmo apesar da destruição causada pelo parque eólico (em área supostamente protegida...), vale mesmo a pena visitar. Já agora, é o ponto mais elevado do Maciço de Sicó.
Contudo há um grande senão, ou seja o facto da prova em causa ter passado por um local onde nunca deveria ter passado, num local que deveria ter estatuto de protecção, dada a sua importância patrimonial. Quando vi a foto que ilustra este comentário, e que retirei do facebook de um amigo meu,  fiquei perplexo. Sei que a organização teve boas intenções, mas fazer passar a prova por ali foi um erro, o qual espero que não seja repetido.
Pode parecer que se trata de um monte de pedras, contudo há ali algo de muito importante em termos de património natural. Falo, claro, das cascalheiras de gravidade da Serra de Alvaiázere, um local de interesse geomorfológico importante e que importa preservar. A sua preservação passa fundamentalmente por medidas que impeçam o trânsito de pessoas por aquele local, evitando assim o pisoteio. Uma coisa é passar por ali uma pessoa uma ou duas vezes por ano, outra é passarem dezenas ou centenas de pessoas num par de horas. Em poucas horas promoveu-se um impacto que não aconteceu em alguns milhares de anos...
Importa também salientar que naquele local já foram encontrados vestígios arqueológicos (cerâmica), portanto ao património geomorfológico junta-se também a questão da arqueologia. 
Para quem estiver interessado em saber mais, pode encontrar informação sobre este local de interesse geomorfológico num trabalho meu, de 2008, na página 115:
Agora um apelo, aquando do planeamento de provas do género, tentem informar-se sobre documentos técnicos vários que possam existir sobre esta e outras áreas, pois ao estarem informados dos valores ali presentes, podem não só conhecer património que desconhecem bem como preservar este mesmo património, evitando a sua degradação. É fácil evitar este tipo de situações, bastando para isso uma nova atitude na abordagem à questão. E se pedirem algum tipo de ajuda, terão certamente resposta por parte de quem conhece coisas que vocês não conhecem. E através desta troca de conhecimento, ficamos todos a ganhar e o património agradece!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Voltei ao Alvorge e fiquei... emporcalhado!


É um assunto tremendamente incómodo para as pessoas e entidades envolvidas nesta questão. É uma questão que se arrasta há vários anos, sem que se tenha feito algo para acabar com este atentado ambiental.
Em Abril de 2016, a Provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar "a água sai límpida para uma linha de água". Foi uma afirmação que, de facto, não correspondia à verdade, sendo apenas uma defesa, diga-se muito mal montada, de quem tem responsabilidades pela situação. Chegou ao cúmulo de negar a poluição, imagine-se...
Há também co-responsáveis, neste caso a Câmara Municipal de Ansião, que fez um "esgoto" para terra de ninguém, sem qualquer ligação à rede de saneamento.


Até agora nada se fez para resolver este grave problema, facto que me preocupa tendo em conta o enorme potencial de contaminação dos aquíferos. Não sei o nível de contaminação dos mesmos, contudo, e enquanto geógrafo físico ligado à temática do carso (calcários), estou profundamente preocupado com esta situação. Casos como este são graves, mas em meio cársico são particularmente graves, dada a susceptibilidade à poluição do mesmo.
Para que conste, estas fotografias foram tiradas há poucas semanas...


Seria particularmente interessante promover-se um debate público onde estivessem presentes a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha (actual Presidente) e o Sr. Fernando Marques (ex. Presidente, actual candidato do PSD e político sempre apoiado pela Srª. Maria Luísa Ferreira). 


Ao contrário do que alguns possam pensar, esta questão não está fechada, muito pelo contrário e a duas frentes. Numa frente a nível legal e noutra frente a nível político. E o "maravilhoso" disto é que este é ano de autárquicas, onde questões como esta costumam ser bastante comprometedoras para quem contribuiu para elas, por isso é um tema que irei destacar nos próximos meses...
Esta é uma situação que está acima de politiquices mesquinhas. Esta é uma situação que coloca em risco a saúde pública, dada a contaminação dos aquíferos. Esta é uma situação inaceitável, daí eu vos pedir que partilhem este comentário. Ao partilhar estão indirectamente a ajudar a que a situação se resolva. E já agora, para os ansianenses, questionem todos os candidato/as às autárquicas, sem excepções, sobre esta situação. E se alguém recusar o debate, lembrem que dia 1 de Outubro é dia de "ajustar contas".
Só para finalizar, se ouvirem a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha ou o Sr. Fernando Marques a opinar sobre a componente técnica/ambiental desta questão, digam-lhes que não têm competências na matéria e que deixem isso para os especialistas.
Para o pessoal do Alvorge, não tenham receio, pois mesmo para os que não querem ter problemas, vocês podem ajudar a resolver o problema, nem que seja "apenas" através do voto.


domingo, 4 de junho de 2017

Ajudar à festa!


Nos últimos anos parece que as festas populares voltaram à baila. Não sei se é impressão minha, mas parece-me que, nos últimos anos, as festas populares têm vindo a ganhar uma nova dinâmica, talvez devido ao facto do pessoal mais jovem ter conseguido ajudar à festa, literalmente, imprimindo uma nova dinâmica nas mesmas. Uma imagem mais actual, mais apelativa e mais actividades para todos nós. É algo que nos deve orgulhar, já que as festas populares da região de Sicó são, de facto, populares.
Há que ajudar às festas do vosso bairro, da vossa terra e divulgar as mesmas. Há que trazer a esta região quem não é de cá e contribuir para que estas pessoas conheçam a nossa cultura e o que de melhor temos em termos culturais e não só. Há que não só manter bem como potenciar estes tesouros culturais da região de Sicó, claro que sem lógicas circenses. 
Siga a festa!


domingo, 28 de maio de 2017

Recuperar o controlo dos baldios



As transformações económicas, sociais, culturais e outras mais relegaram o espírito comunitário para segundo plano durante demasiado tempo. No que concerne aos baldios, trata-se de um exemplo perfeito que ilustra isso mesmo. Durante anos a fio poucos foram os que fizeram questão em trabalhar o sentido comunitário que os baldios representam. As comunidades locais actuais da região de Sicó sofreram transformações significativas nas últimas décadas, daí o consequente desinteresse pelos baldios. Uma comunidade mais virada para os sectores secundário e terciário é, regra geral, uma comunidade afastada dos valores da terra, tal como ocorre na região de Sicó.
Mas houve algo que mexeu com a temática dos baldios. Desde que surgiram os parques eólicos, novos problemas surgiram e não é para menos, já que basicamente se começou a ganhar dinheiro fazendo nada. Isso fez com que houvesse disputas territoriais à conta dos parques eólicos.
Pessoalmente, e se dependesse de mim, não haveria um único parque eólico na região de Sicó, dado o seu valor paisagístico. Teria recusado a construção de parques eólicos nesta região, já que há outras formas de ganhar dinheiro e sem degradar algo de muito valioso para a região de Sicó, ou seja a sua paisagem. As pessoas foram na conversa do "bandido", acreditando que a luz ia ficar mais barata. Além de não ter ficado mais barata, ainda pagam parte dos parques eólicos, através de factura que mensalmente surge na caixa de correio. E não, não sou contra os parques eólicos. Quando eu já falava deles, na década de 90, muitos chamavam-me "maluquinho" por falar em ideias tão revolucionárias em Portugal. Sou a favor da energia eólica, mas não a qualquer custo, é claro e conciso.
Daqui a 10/15 anos alguns dos actuais parques eólicos serão mera arqueologia indústrial. Na próxima década a microgeração será parte importante do mix energético. A energia solar terá uma palavra muito importante e as baterias de lítio serão coisa do "passado". E esta realidade não é do futuro, pois já existe.
Mas voltando à terra, há umas semanas deparei-me com o cartaz que consta na fotografia. Gostei de ver a mensagem ali presente. Tenho gostado também de ver o activismo em prol dos baldios e contra as crateras lunares na serra de Sicó. Vamos recuperar os baldios e retirá-los da mão de quem não os sabe gerir? É que há juntas de freguesia e autarquias que além de não os saberem explorar de forma sustentada, apenas os sabem degradar e/ou destruir. Para estas é mais fácil entregar um baldio à exploração de uma pedreira do que saber gerir um baldio de forma sustentada. Esse é um dos grandes problemas que se observa na região de Sicó. Vamos valorizar o nosso território?!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Passaram 10 anos: o que mudou na região de Sicó?


Há 10 anos eu era um mero técnico de uma autarquia, sem influência alguma, mas daqueles com bichos carpinteiros. Há 11 anos (finais de 2006) eu tive a ideia de propor a organização de um evento pouco provável naquele tempo. A ideia foi aceite, contudo na condição de ser eu a "desenrascar-me". Aceitei a condição e até hoje este é um dos momentos dos quais mais me orgulho em termos profissionais. Modéstia à parte, foi um marco para a região. Consegui a presença de alguns dos maiores especialistas nacionais e isso fez toda a diferença. E nem o facto de ter sido um evento organizado num concelho pouco provável para o efeito fez mossa, ou seja o evento correu muito bem, sendo até hoje recordado no bom sentido. Aliás algumas das ideias então tratadas (ex. aldeias do carso) estão actualmente na baila, mostrando que estávamos à frente do nosso tempo em termos de ideias a desenvolver neste território que é Sicó.
O intuito deste evento era simples, ou seja reunir pessoas e especialistas no domínio do desenvolvimento territorial, de modo a debaterem-se ideias concretas para a região, mas numa perspectiva diferenciada e, até então, pouco debatida publicamente. Apesar de ser um evento específico, concretamente pelo facto de querer debater o papel do património geológico e geomorfológico para o desenvolvimento sócio-económico na região de Sicó, isso não foi entrave, já que se conseguiu reunir investigadores, actores de desenvolvimento locais e cidadãos.
Contudo, e apesar de tudo isto, o tempo tem mostrado que é difícil as boas ideias seguirem o seu rumo nesta região (Sicó). O rumo das coisas continua a ser moldado por uma série de interesses que, na maior parte das vezes, não são coincidentes com o interesse público. E mesmo algumas das ideias que são colocadas em prática são convenientemente capturadas pelos tais interesses, que se colam às mesmas e as condicionam a jusante, numa espécie de parasitismo económico. Muitos sabem disto mesmo, mas raros são os que o dizem abertamente e sem receio de represálias. Eu sou destes últimos, falando abertamente sobre muitos temas tabú, sendo temido por isso mesmo.
Mas voltando ao início, mais precisamente ao título que dá mote a este comentário, o que mudou na região de Sicó neste domínio? Objectivamente falando, nada! Quem é responsável por isso? A resposta é simples, especialmente sabendo que este ano há eleições autárquicas...
A ver vamos o que surge nas propostas dos vários candidatos às autárquicas na região de Sicó, seja candidatos às câmaras, seja às juntas de freguesia. Sejamos exigentes para quem nos pretende governar. Sabem qual é uma das principais diferenças entre aqueles países desenvolvidos que tanto gabamos e entre nós e o nosso país? Nós não somos exigentes nem participativos na hora de decidir o nosso futuro. Simplesmente votamos e delegamos responsabilidades, quando deveríamos votar e participar activamente nos processos de decisão durante os 4 anos de governação autárquica. Resta saber se querem continuar a ser meros espectadores ou então serem actores de promoção e desenvolvimento territorial, tal como é de esperar num país desenvolvido. Na primeira opção têm tudo a perder, enquanto que na segunda opção têm tudo a ganhar. E lembrem-se que sem trabalho nada se faz...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Paisagem da vergonha...


Situações como esta são demasiado comuns na região de Sicó. Situações como esta ocorrem por vários motivos, sendo que um dos quais, e à parte da idiotice de alguns chico-espertos, é a falta de locais de recepção de resíduos de construção. Em 2010, e aproveitando o facto de ter sido coordenador concelhio do Limpar Portugal, em Ansião, sugeri, em reunião com a Câmara Municipal de Ansião e com algumas das entidades que deram apoio a esta iniciativa, caso da empresa ELIMUR, a criação de um espaço de recepção de resíduos de construção. Na altura foi uma ideia bem recebida por todos. Fi-lo porque dos 250 locais que georeferenciei como locais de deposição ilegal de resíduos, parte importante deles tinha resíduos de construção. 
Há poucos meses ouvi a referência de que deveria surgir algo do género em Ansião, talvez na antiga pedreira do Camporês, por parte de Rui Rocha, contudo, e até agora, já passaram 7 anos sem que surgisse algo de palpável, portanto a ver vamos o que se segue. Este problema ainda não é assumido, de facto, como um grave problema, já que se o fosse já teriam surgido soluções e a única solução de que tenho conhecimento surgirá daqui a 1 ou 2 anos, num outro município da região de Sicó. 
Até lá há que fazer sensibilização ambiental e cívica e denunciar quem despeja este e outros tipos de resíduos um pouco por todo o lado. Ficamos todos a ganhar e isso nunca é demais referir! 
A paisagem cultural de Sicó merece toda a nossa dedicação, portanto todos devemos pugnar pela preservação deste valioso recurso. Se não cuidarmos da nossa bela casa quem cuidará?!