sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Serão os ambientalistas fundamentalistas?

É uma questão que eu considero crucial em termos de discussão, por isso mesmo a sua pertinência no azinheiragate. Importa então discutir esta questão de forma imparcial.
Pessoalmente nem gosto muito do termo "ambientalista", isto, porque os lóbis financeiros que destroem o nosso património, conseguiram prolongar durante muitos anos o que é afinal um estereótipo. Interessa então desmistificar esta questão porque... é mesmo um "mito urbano".
É certo que há fundamentalistas no universo dos ambientalistas, mas não os haverá em todos os lugares? Claro que sim! Então porque continuamos a insistir que os ambientalistas são fundamentalistas? Sendo uma margem extremamente reduzida (talvez 1%) porque "continuamos" insistir na mesma tecla?
A razão é simples, continuamos a insistir ouvir aqueles pseudointelectuais que falam parcialmente sobre os "ambientalistas", tentando denegri-los. Os pseudointelectuais fazem-no não porque os "ambientalistas" o sejam, mas sim porque estes conseguem afectar gravemente muitos dos planos de lóbis predatórios que a cada dia que passa destroem um património que é de todos, seja património natural, cultural ou construído.
Estes lóbis dizem que os "ambientalistas" querem que voltemos à idade de pedra, pois de acordo com eles os "ambientalistas" vivem em grutas, não fazem a barba e andam sempre a pé. Sei que até é divertido ouvir esta e outras afirmações absurdas, mas afinal estamos a falar de coisas sérias.
Ser-se "ambientalista" não é viver na idade da pedra, é sim viver no século XXI com consciência daquilo que fazemos e dos impactos que a nossa acção poderá ter no nosso quotidiano e no futuro das próximas gerações.
É uma questão de ter a percepção que coisas simples podem ter um impacto muito negativo ou muito positivo, dependendo da nossa atitude perante a vida, nada mais. Lembre-se que a Terra já existia muito antes de nós e continuará a existir muido depois de nós, resta decidir se queremos dar continuidade à nossa espécie e isso é possível vivendo de forma consciente e responsável, sem radicalismos nem fundamentalismos, ao contrário do que os lóbis dizem...
Poderia dar vários exemplos para vos mostrar que os "ambientalistas" além de serem pessoas normais, são sim pessoas racionais, mas darei apenas um exemplo claro e conciso do que falamos afinal.
Um "ambientalista" quando toma um banho curto (não tomando banhos longos), tapa o ralo da banheira de forma a que a água se mantenha ali. Quando acaba o banho, além de ter gasto pouca água, ficou com umas dezenas de litros de água que poderá utilizar no autoclismo.
Imaginem a seguinte situação:
- Uma família "não ambientalista" que gasta todos os dias uns 750 litros de água para tomar banho e que não se preocupa em ela se perder no final. Ao final do mês, gastou 22500 litros de água potável. Gastou também no autoclismo uns 1500 litros. Temos portanto 24000 litros de água.
- Uma família "ambientalista" que gasta todos os dias uns 300 litros de água para tomar banho e que tapa o ralo para a água não se perder. Ao final do mês, gastou 9000 litros de água potável. Não gastou água potável no autoclismo nada, pois utilizou a água dos banhos.
Entre a família "não ambientalista" e a família "ambientalista" há uma diferença de gastos de 15000 litros a desfavor da primeira. Entra aqui a questão da consciência, será que as pessoas não sabem que têm mesmo de poupar um recurso escasso? Possivelmente muitas não querem saber, mas vamos a outra questão:
- No final do mês, quando se paga a conta da água, a família "não ambientalista" paga um valor maior de água, algo que tendo em conta a água barata que temos até não será um problema. Mas aqui entra uma nova variável, a indexação das taxas de lixo ao gasto da água. Aí enquanto que a família "ambientalista" paga talvez uns 20 euros, a família "não ambientalista" para uns 45 ou 50 euros! Multipliquem isto por 12 meses e temos assim quase 300 euros de poupança anual da família "ambientalista", só no que concerne a esta poupança. Agora imaginem poupar (sem ter necessidade de cortar alguma coisa no que é essencial) em boa parte das coisas que fazemos em casa. Dá que pensar, não dá?
Multipliquem isto por milhões de lares e imaginem o que se perde de forma completamente evitável todos os anos...
É disto que estamos a falar no que se refere ao ser-se ou não ambientalista. Não é uma questão redutora de se gostar do planeta, é sim de se gostar do planeta que nos sustenta, da nossa família e das suas finanças, e de ter a noção que em outros países mata-se pela água que muitas vezes deitamos fora no puro desperdício. É acima de tudo ser-se racional e consciente, nada mais. Há muito mais a dizer, mas penso que com isto o estereótipo do "ambientalista" já começa a ser desmontado, para desespero dos lóbis financeiros predatórios. Uma sociedade informada é menos vulnerável aos ataques daqueles que só pensam no dinheiro e no curto prazo.
Resta agora pensar bem se o fundamentalista não será aquele que gosta de gastar água potável no autoclismo....
Há já alguns bons livros que recomendo sobre esta temática, brevemente farei referência ao mesmo, esperando que agora alguns de vós comecem a reflectir sobre esta e outras questões. Felizmente são cada vez mais as pessoas informadas que já começam a saber algo sobre esta temática.

Sem comentários: