quinta-feira, 26 de junho de 2008

IC3: Tito Morgado perde, Alvaiázere ganha!

De regresso de mais uma formação lá fora, onde apresentei resultados preliminares do estudo que estou a elaborar na Unidade Territorial de Alvaiázere (Foto abaixo), fiquei a saber da notícia



já esperada à muito tempo, a decisão acerca do traçado para o IC3. Enquanto técnico ao serviço da Câmara Municipal de Alvaiázere (Dezembro de 2004 a 7 de Março de 2008) fiz o que me era exigido, servir os interesses de Alvaiázere e das suas gentes no que concerne ao domínio territorial. Na altura logo me apercebi de qual seria a melhor solução, a qual acabou por singrar, solução esta que era o melhor compromisso em termos de economia, ambiente e social.

Logo surgiram vozes contrárias que baseavam a sua opinião em mera retórica e não em factos concretos em termos de políticas territoriais, algo que é muito complexo, mas que afinal é necessário discernir.

Desde cedo assumi a minha posição enquanto técnico de ordenamento do território, sem medo de quaisquer tipo de lobbys, externos a Alvaiázere ou não, por isso comecei a ser encarado por alguns como persona non grata, facto que em nada me preocupou, pois o que me move é a idoneidade e competência e não interesses vários.

A empresa Estradas de Portugal cedo avisou que a solução que ganhou seria a vencedora, já que os vários estudos demonstravam que seria a melhor solução, complementada com nós de ligação a Alvaiázere. Por isso fiquei satisfeito com a posição deles, algo que por vezes não acontece entre ambientalistas/conservacionistas/ecologistas.

Mesmo apesar destes factos o Presidente da Câmara de Alvaiázere, mostrou-se pouco satisfeito com o cenário, mesmo sem que factos concretos apresentasse para "contrariar" a posição das Estradas de Portugal. Em vez de apresentar estudos e factos concretos, apenas apresentou as suas ideias não fundamentadas em termos técnicos e sem nexo em termos de compromisso economia/ambiente/social, mesmo no que concerne à questão de vias de comunicação per si, não apresentou nada de concreto.

Tomou pulso firme na sua posição, estando ao lado de um abaixo-assinado que não reflectia a posição do povo, já que este assinou na sua maioria sem saber no concreto de que se tratava no específico. Assumiu que seria uma derrota a sua posição perder, mostrando-se pouco sereno em algumas situações, já que em alguns jornais referiu que em determinada situação poderia "apoiar" cortes de estrada como forma de protesto. Considero que este facto foi muito infeliz, já que a empresa Estradas de Portugal cedo lhe garantiu que apesar de a proposta que esta autarca apresentada ir perder, teria pelo menos dois nós de ligação ao concelho de Alvaiázere.

Já no que concerne aos estudos dos traçados e da discussão pública, tomei posição a favor da hipótese que desde o início defendi, já que era a que melhor defendia os interesses de Alvaiazere e das suas gentes. Em termos individuais e para a discussão pública do projecto elaborei parecer sobre o traçado que venceu, ser o mais favorável, tendo várias pessoas de Alvaiázere vindo falar comigo (off the record - com receio...) a pedir-me que intercedesse a favor da solução vencedora, em termos de instituições, dei também a minha contribuição com o meu estudo para outro estudo elaborado por uma equipe multidisciplinar de vários especialistas e "meros" cidadãos.

Por isso apenas posso estar muito contente pela seriedade e competência de quem efectivamente sabe terem ganho e com isso Alvaiázere ir ganhar muito com isso. É bom que isto se diga para que nunca seja esquecido, o ordenamento do território é para especialistas e não para aspirantes!

Como nota final tenho apenas a referir que com a solução de traçado ganhadora, Paulo Tito Morgado tem uma estrondosa derrota político/pessoal e a vários níveis, mostrando que ainda tem muito a aprender (como todos nós..) no domínio das políticas territoriais. Outro facto é que esta estrada terá portagens (mais tarde ou mais cedo, é o princípio do utilizador/pagador..) , facto muito negativo para a região e facto que salienta ainda mais a derrota político/pessoal deste autarca, já que perdeu em todas as frentes possíveis, o traçado que pretendia e as inevitáveis portagens. Os nós de ligação já estavam garantidos.....

Agora é aceitar democraticamente este resultado e caso este autarca queira discutir de forma construtiva pormenores do traçado e suas consequências em termos de políticas territoriais, estarei disponível para falar olhos nos olhos, algo que o mesmo gosta de salientar no seu dia a dia (mesmo que depois sem aviso prévio envie cartas registadas a informar não renovação de contrato uma semana após corte de azinheiras...)

Os meus cumprimentos democráticos a este jovem autarca tão promissor!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os incendiários de colarinho branco...

Fonte: http://www.earthobservatory.nasa.gov/

Era para já ter falado deste assunto, mas como apenas agora o calor veio decidi então colocar mais um tema ao vosso dispor, para que possamos reflectir sobre de onde vimos e para pnde vamos...
Sinceramente estou farto de falar acerca da questão dos incêndios florestais, seja porque é sempre a mesma vergonha todos os anos, ou porque "andamos" sempre a dizer que com o desastre do ano actual aprendemos e para o ano é que vai ser... só mesmo o São Pedro ajuda por vezes, como foi o caso de 1997 e 2007.
Como cidadão assisto a um cenário dramático ano após ano, desde 2000 só mesmo em 2007 arderam menos do que 100000 hectares, para este ano e tendo em conta o que aí vem, a minha estimativa de área ardida no final deste verão poderá bem andar à volta dos 250000 hectares.
O que me leva a dizer este valor? Bem, várias coisas, já que vivo ao mesmo tempo vários lados:
Primeiro enquanto cidadão posso dizer que é um valor provável, mas vale pouco pela mera opinião.
Em segundo enquanto bombeiro, vivo a coisa por dentro e sei bem o que infelizmente é, não só pelo drama em si, mas também pela incompetência de muitos bombeiros (os que efectivamente mandam...). Sei que não é normal vocês ouvirem críticas ao bombeiros, mas não podemos confundir o mérito de lá estar com a competência, são coisas diferentes, devemos criticar construtivamente e os bombeiros não são imunes nem eu sou corporativista. Não sei qual é a percentagem de área que arde devido à burrice (literalmente) de alguns bombeiros, mas pelo que vejo, pelo que vivo verão após verão, garanto-vos que é uma área substancial...
Terceiro, o facto de ser um profissional na área do ordenamento do território e já ter trabalhado nesta área em específico, aliás já elaborei um estudo de prevenção de incêndios florestais para a Serra de Aire (PNSAC). Por isso é que sei as burices que muitos bombeiros fazem no terreno, já vi coisas..... enfim.





Mas nada disto tem a ver com o que vos falo agora, era apenas uma breve introdução, o que me leva a trazer-vos este post é o facto de quando se fala em incendiários, não esqueçam que não existem apenas aqueles incendiários pobrezinhos, existem também os incendiários de colarinho branco, os quais mesmo apesar de não acenderem o fósforo, estão a preparar o terreno para grandes desastres, como?


Simples, indivíduos de gravatinha que querem que se construa a qualquer custo em áreas já por si complicadas do ponto de vista de incêndios florestais, quando vêm que certas cartas de risco de incêndio não os favorecem, mandam literalmente manipular cartas de risco de incêndio para poderem então autorizar a construção em áreas até então interditas à construção. Dizem que é assim que se traz desenvolvimento. Passados poucos anos o que vamos ver é construção ainda mais dispersa por zonas florestais e um aumento exponencial de risco das actividades humanas nestas áreas.

Depois lá têm os bombeiros de andar a correr de casa em casa a arriscar a vida para salvar casas que não deviam estar onde irão estar futuramente....


Agora digo eu, quem é mais desprezível, quem acende um fósforo ou quem prepara o rastinho? Ambos meus caros, ambos são criminosos! A diferença é que o incendiário pobrezinho nem sequer é preso porque é inimputável, já o incendiário de gravata fica impune e continua a dizer demagogicamente que pugna pelo desenvolvimento da região.....


É triste este cenário e pouco se faz para reverter o mesmo, o cerne da questão não é atacado (ordenamento do território) e não há coragem para abrir esta autêntica caixa de pandora, estão muitos lobbys em jogo...


Brevemente voltarei a este assunto, para já deixo-vos com esta questão muito séria para pensarem nas próximas duas semanas!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Um bom exemplo...



Mesmo apesar de ter surgido apenas após denúncias no mundo virtual global, há que salutar esta atitude da Câmara Municipal de Alvaiázere, a de colocar um cartaz bastante explícito e bem conseguido (se bem que aqueles contentores me parecem americanos...) à entrada de um caminho onde as pessoas tinham (e parece que algumas teimam em continuar....) a colocar lixo.
Em jeito de retrospectiva deixo-vos o antes e o depois:
Dia 1 de Março coloquei online um vídeo onde denunciei a existência (secular....) de mais uma lixeira por Terras de Sicó, mais precisamente em Alvaiázere, o link directo do antes é:
Já a 15 de Abril, quando passei de novo no local desta lixeira, deparei-me com algo que me agradou, mesmo apesar de o lixo ter sido enterrado o que interessa é que alguém de mexeu, não sei se Junta de Freguesia ou Câmara Municipal, local onde tive o privilégio de trabalhar três anos.
Fica o link directo do depois para terem a oportunidade de ver como afinal as denúncias (feitas de uma forma imparcial e com intuito de resolver questões problemáticas) têm resultados positivos:
Espero que mais exemplos surjam em Terras de Sicó, seja apenas devido a serem forçados a isso ou por livre e interessada vontade, livre de acções de cosmética e politicamente correctas.
Só assim vamos longe, grão a grão enche a galinha o papo. Pena é que andemos a destruir a um ritmo mais elevado do que a Natureza consegue recuperar...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Apenas uma nota para lembrar.....

Apesar de nestes dias estar muito ocupado com "coisas de investigador", não posso deixar de destacar esta imagem para reflectir sobre a Rede Natura 2000. Enquanto que países desenvolvidos apostam no que é uma mais valia em termos de desenvolvimento sustentável (apesar dos fundos prometidos tardarem em chegar...) temos nas Terras de Sicó autarcas que de forma irresponsável e incompetente dizem que "coisas" como a RN2000 são entraves ao desenvolvimento....
Diria eu e parafraseando um autarca que frequentemente se contradiz em questões ambientais:
«Estamos em contra ciclo...» Quem é este autarca? Prefiro não dizer, já que detesto falar em gente incompetente e que anda a comprometer uma das maiores riquezas das Terras de Sicó, a Rede Natura 2000!!