terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Identidade obliterada: uma ameaça a mexer-se na sombra...


Por vezes basta uma simples fotografia para mostrar algo que, por vezes, não é fácil. Falar da questão da identidade regional não é fácil, contudo, e felizmente, os registos fotográficos funcionam como uma bela ajuda para mostrar numa imagem o que, por vezes, não se consegue explanar bem em mil palavras.
Há umas semanas tirei esta fotografia bem perto de casa. Para mim resume algo de fundamental, a grave perda de identidade numa região onde a paisagem cársica é ainda uma imagem de marca. Para todos aqueles das gerações mais novas, esta imagem não deve dizer muito, contudo, e para mim, diz tudo.
Uma das minhas muitas lutas em prol do património da região de Sicó é precisamente neste domínio, a sua identidade e a sua matriz identitária, da qual os belos muros de pedra fazem parte. Urge pugnar activamente pela sua manutenção, não numa lógica circense, mas sim de forma natural e dedicada.
Há soluções mas é preciso um compromisso. Há opções, mas é preciso trabalhar nas mesmas. Há sugestões, as quais vou dando (além de outros mais que também o fazem). Se todos nos reunirmos nesta bela causa, a região de Sicó e todos aqueles que aqui vivem agradecerão. E quem nos visita também!
Há umas semanas o Jornal de Leiria fez uma bela reportagem sobre os muros de Sicó. Recomendo vivamente a leitura do mesmo! Caso a imagem não tenha a melhor definição, vejam aqui.



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma ameaça imbecil e que vai ter consequências...

Confesso que ainda estou a pensar se o jovem que me ameaçou saberá, de facto, quem sou e, por isso, o que costumo fazer quando me ameaçam. E não compreendo como é que é possível ter uma atitude tão imbecil como a demonstrada por este jovem. Concerteza não deve saber das minhas aptidões para lidar com o chico espertismo...
Já há alguns anos que não era alvo de uma ameaça explícita, como é agora o caso. Decidi trazer aqui esta questão porque o azinheiragate também trata questões de cultura, ou da falta dela.
Mas vamos aos factos. Na altura da feira dos pinhões estava por Ansião e, numa das noites em que passeava pela vila, detectei algo que me revolta profundamente, ou seja carros de pessoas alegadamente saudáveis estacionados no lugar destinado aos deficientes (nenhum dos carros tinha o dístico respectivo). O próprio código considera este acto grave, e não é por acaso. Trata-se de uma contra-ordenação grave (coima de 60 a 300 euros) e dá direito à perda de 2 a 3 pontos na carta. 
Tirei foto e passadas umas horas partilhei nas redes sociais, tal como faço sempre que encontro situações deste e de outros tipos. E sim, posso tirar foto dos carros e sem ter de esconder a matrícula. O carro não tem figura legal neste âmbito! É uma confusão comum, diga-se...
Passados uns dias recebi um pedido de amizade de um tal de Tiago Mendes, sem me aperceber quem, de facto era e sem saber o seu intuito. O facto de ver no seu perfil que era de Ansião e termos amigos em comum, bastou-me para aceitar. Ora, passados mais uns dias, e do nada, ele surge, via facebook, com uma série de mensagens ameaçadoras, facto que, legalmente, lhe poderá causar problemas q.b.. Como é possível ser tão ingénuo? E não foram sequer afirmações a quente, mas sim afirmações feitas 2 semanas depois.
Pretendo fazer da atitude imbecil deste jovem um exemplo do que não se pode nem deve fazer, daí publicamente abordar este mesmo caso. Já comuniquei às autoridades o estacionamento abusivo, de forma a darem seguimento à coisa que tanto apoquenta o rapaz em causa. Quanto à questão das ameaças, terei 6 meses para ponderar o facto. Ao jovem em causa sugiro que reflicta bem, pois ele não está, de facto, consciente com quem está a lidar. Eu ficarei à espera de um pedido de desculpas, pois se há coisa que não tolero são ameaças. E birras também não. Este jovem que se informe sobre quem eu sou e ganhe consciência de que a sua vida pode dar uma volta muito grande caso tente sequer esboçar uma das suas ameaças patéticas. E se ele acha que tenho medo, engana-se redondamente (claramente não me conhece). Será que esta ingenuidade é um mero reflexo de muita imaturidade?  Ou isso ou filmes do Rambo a mais... 
Este jovem agora terá vários dilemas pela frente, desde saber quando é que a coima chegará a casa, se perde 2 ou 3 pontos na carta, quantos conhecidos seus o vão condenar por esta atitude desprezível, pela falta de civismo e, finalmente, se eu irei fazer queixa acerca das suas patéticas ameaças. Isso e estar atento aos locais onde estaciona de agora em diante, já que os holofotes estão agora virados para si, graças a si mesmo. É obra! 
Para terminar, sugiro que todos pugnemos pelo fim deste tipo de comportamentos, denunciando-os sem receio algum. Falta de civismo não!






Adenda (18/02)
Àparte desta aplicação para telemóveis, podem também telefonar às autoridades ou ir presencialmente aos respectivos quartéis ou esquadras, de modo a fazer queixa do estacionamento ilegal em causa. Podem também tirar fotografia e enviar para o endereço electrónico das autoridades. Combater a falta de civismo é um dever de cada um de nós!


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Com o turismo me enganas...


Há uns dias apeteceu-me fazer algo que aprecio bastante, ou seja dar uma volta nocturna. Depois de jantar é bastante agradável dar corda aos sapatos e dar uma voltinha. A digestão faz-se melhor, respira-se ar mais puro (de dia é mais complicado...) e conseguimos andar mais descontraídos e abstraídos com os nossos pensamentos. É aí, por vezes, que detectamos pormenores interessantes, como o que encontrei em Pombal.
Na pacatez da noite pude dar-me conta de algo que me surpreendeu de sobremaneira. Na primeira imagem consta aquilo que falo. Trata-se apenas e só de uma dos piores exemplos que já vi de um mapa turístico. Visualmente não é sequer apelativo, quanto à informação presente no mesmo, gostava de saber se a intenção aquando da feitura do mapa era informar os turistas, já que este mapa turístico é uma grande confusão. Exige-se muito mais quando se trata de elaborar um mapa turístico! Infelizmente este tipo de situação é normal na região de Sicó, onde os conteúdos turísticos deixam muito a desejar. Em vez de se elaborarem conteúdos em condições, vai-se sempre aos rascunhos do passado. 
Será que este mapa turístico ajuda, de facto, o turista?!
E vi um pormenor que me fez rir um bocado, ou seja a referência à Serra de Sicó. Este grafismo da Serra é um bocado irrealista, não? Lá está o escalador (referência aos Poios) e a torre eólica, contudo onde estão as crateras (pedreiras)? Ironia à parte, este mapa turístico deixa tudo a desejar. Sugiro que falem com quem sabe e façam um mapa turístico digno de Pombal e do seu património, já que este tem nota negativa! Pombal e a região de Sicó merecem o melhor do marketing territorial!


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Abater carvalhos para que o pessoal do TT possa chafurdar na lama?


não é a primeira vez que abordo este tipo de situação. Tristemente tenho de voltar ao tema após ter sido alertado para o facto. Trata-se de uma situação em Pousaflores, Ansião, onde, para criarem um espaço para o pessoal do TT chafurdar na lama, abateram um número indeterminado de carvalhos, parte deles alegadamente retirados do local (porque será...). Trata-se de uma prova de TT, apoiada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, que entretanto foi cancelada (informação presente no facebook da Junta de Freguesia). Infelizmente o mal está feito, contudo as responsabilidades vão ter de ser apuradas...
Com tanto terreno ideal para fazer isto e sem necessidade de abater carvalhos, havia alguma necessidade de fazer esta triste figura? Numa freguesia onde o carvalho cerquinho é um dos seus principais embaixadores é esta a imagem que querem mesmo passar?
Estou neste momento a analisar o caso, de forma a ver se há matéria para queixa. A dúvida prende-se apenas com os limites do perímetro urbano, que pode condicionar de alguma forma a queixa. Sei também que parte deste trabalho foi efectuado em terrenos alheios, sem qualquer autorização dos donos (tal como consta nas redes sociais...), portanto irei esperar por mais desenvolvimentos.
É uma pena situações como esta continuarem a existir, sinal que temos muito que evoluir enquanto cidadãos e enquanto sociedade!
Pena que se tenha uma posição louvável, quando se recusa a apalicação de herbicidas na freguesia de Pousaflores e depois se tenha uma posição que, factualmente, apoia o abate de carvalhos. Urge corrigir este tipo de comportamentos, a bem de Pousaflores, de Ansião e da própria região de Sicó.
Termino com um apelo à Junta de Freguesia e aos donos dos terrenos em redor deste local. Limpem o que há para limpar, dentro das regras e da racionalidade, claro, e plantem espécies como o carvalho! O Verão chegará rápido, com tudo o que isso pode representar em termos de risco de incêndio...




domingo, 4 de fevereiro de 2018

E já lá vão 10 anos...


Uau, já lá vão 10 anos desde que criei o azinheiragate! É um número simbólico, contudo com muito valor para mim. Quando criei este blogue a blogosfera era bem diferente, já que não estava tão desenvolvida nem tinha o impacto que hoje em dia consegue ter. E, na região de Sicó, a blogosfera era ainda mais incipiente. Desde o seu início tem sido uma viagem inesquecível e o cenário actual é bem mais positivo do que há 10 anos.
Sobre o rastilho que fez desencadear o nascimento do azinheiragate, ele ainda é desconhecido para alguns de vós. É, para mim, um orgulho ter criado este blogue e ter conseguido o que consegui até hoje com ele. Uma plataforma que me permite denunciar os atentados ambientais e culturais ocorridos na região de Sicó, uma ferramenta que me permite chegar a milhares de pessoas e mostrar esta jóia que é a região de Sicó. Tenho aprendido muito com este blogue, pois ele obriga-me a pesquisar sobre muitos temas que, de outra forma, não seria possível. Trata-se de partilhar informação com todos vós e chegar à fala mesmo com quem não conhecia. O azinheiragate possibilitou-me conhecer pessoas geniais, que de outra forma dificilmente não conheceria. O azinheiragate permitiu-me partilhar a paixão por esta região e pelo seu património. Por vezes permitiu até salvar algum desse património, dada a visibilidade do azinheiragate. A imprensa regional tem ajudado nesta luta que é de todos nós. Nunca quis publicidade no blogue, pois não é essa a sua filosofia. O blogue publicita sim o património e defende-o de gente mal (in)formada, de estereótipos e de preconceitos para com o património. Não é minha intenção ter milhões de visitas, por isso é que partilho apenas 7 comentários por mês. É sim minha intenção fazer as pessoas pensar e desenvolver o sentido crítico e o discernimento para com o património natural e cultural (e não só). Mesmo assim o último ano foi assombroso, com cerca de 153 000 visualizações (conta apenas 1 IP a cada 24 horas).
Apesar dos meros 7 comentários por mês, confesso que o azinheiragate me dá algum trabalho, pois é preciso investir umas valentes horas a preparar tudo para vos apresentar e para partilhar com todos vós.
Já perdi algumas amizades e fiquei a ser persona non grata de outras pessoas, que pensam que eu me vendo, que me calo e que fico quieto perante atentados ambientais. Prefiro água potável a água poluída e se tiver alguém que ache o contrário, que deixe de ser meu amigo. Para mim a ética é mais importante do que as amizades e se tiver que abdicar de amizades, que seja. Mesmo assim são poucas as amizades que perdi. Já quanto às amizades que fiz são muitas e isso é extraordinário!
Tenho noção que a minha acção tem impacto, contudo não me deixo levar por vedetismos. Mesmo assim ainda fico surpreendido com o impacto que consigo ter. Ter tantas pessoas a olhar para o que eu faço é, para todos os efeitos, uma pressão com a qual é preciso lidar. O que faço é pelo património, pela sua preservação, valorização e usufruto de todos, inclusive as gerações que estão para vir. Continuo a ser a mesma pessoa que era há 10 anos e a pautar-me pelos mesmos valores. Evoluí pessoal e profissionalmente como nunca pensei e como algumas pessoas disseram que nunca seria possível. Não ganhei dinheiro com o blogue (nunca o quis), mas fiquei mais rico por dentro e isso, é, para mim, mais do que suficiente para me motivar.

Alguma curiosidades:
O comentário mais visto de sempre no azinheiragate conta com mais de 14000 visualizações (há ao todo 806 comentários no histórico do azinheiragate). No top 10 constam 7 episódios dos gralhos, algo que me surpreendeu de sobremaneira (obrigado ao genial cartonista que fez estes meninos!). Há uns anos fui contactado por um paleontólogo espanhol, através do azinheiragate, já que este queria saber os nomes que os populares davam aos fósseis da região de Sicó. Fui contactado por alunos de escolas. Também já fui ameaçado, nos anos iniciais, pelo incómodo que alguns comentários faziam a determinadas pessoas, predadoras do património desta região. Nestes 10 anos tive apenas uma única queixa, por parte de um cidadão, a um dos meus comentários. Foi-me dada razão e o queixoso teve de pagar as custas judiciais (bofetada de luva branca monumental!).
Fui prendado por uma mochila da Monte Campo, baptizada como Sicó, por parte desta empresa, algo que me irei lembrar por muitos e longos anos. Foi, até hoje, a única oferta que recebi à conta do azinheiragate, tudo o resto foi despesa. Já vi o azinheiragate referenciado numa tese de mestrado e já dei algumas ajudas (pequenas) em outras mais. O azinheiragate funciona actualmente como um pólo de atracção que reúne pessoas com paixão pelo património e pela região de Sicó, esta beldade cársica pouco conhecida.

Algumas novidades:
Brevemente (muito brevemente...) o azinheiragate terá novidades, portanto continuem sintonizados! Duas pistas, um galardão e um novo cartoon, a acrescentar aos já veteranos "Gralhos".

Foram 10 anos excepcionais. Os primeiros anos foram particularmente difíceis, mas depois a coisa compôs-se e o trabalho de sapa começou a ter muitos e bons resultados. Ao contrário do que me diziam, a honestidade compensa. Pode demorar um bocado a surtir efeito, mas mais tarde ou mais cedo os frutos e o reconhecimento surgem.
Espero continuar o caminho que nos levou a todos até aqui, pois esta região vale mesmo a pena. Agora tenho mesmo de terminar porque a emoção já começa a bater forte.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Onde pára a história da Ponte da Cal?


O projecto da Villa Sicó é bastante interessante, contudo tem tido falhas que eu considero inaceitáveis. Ontem andava a matar saudades da minha terra, que nem turista, quando me deparei com esta placa sobre a Ponte da Cal, na Vila de Ansião. A minha primeira reacção foi positiva, contudo só até ter lido os conteúdos. Ou seja, temos ali uma placa aparentemente alusiva à Ponte da Cal, mas que, no concreto, falha os seus objectivos, já que fala de muita coisa menos da história da Ponte da Cal. É, claramente, uma placa que não só confunde, como não contribui para esclarecer e informar quem por ali passa, algo de inaceitável numa estratégia de divulgação turística e histórica.
Há duas histórias sobre esta ponte, a que desde miúdo me contaram e a história descrita por quem de direito, os historiadores, contudo nenhuma delas consta naquela placa informativa.
Fica a sugestão para uma necessária reflexão sobre uma questão que não pode ser menorizada. Falo, claro de uma reflexão por parte da Terras de Sicó, entidade com responsabilidades nesta matéria. 
Fica também o convite para que cada um de vós, ansianense ou turista, passe por este local e veja por si próprio. Podem também observar a outra ponte, a qual perturba gravemente a visualização da Ponte da Cal. Foi mais um de vários erros crassos do anterior executivo da Câmara Municipal de Ansião, que falhou redondamente na projecção de uma ponte que se compreende, mas cujo posicionamento é simplesmente absurdo, dada a proximidade à Ponte de Cal. Uns metros para o lado e a coisa seria bem diferente...